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Gestão profissional em laboratórios: necessária ou supérflua?

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Por Humberto Façanha*

Nesta edição estamos iniciando a seção na Newslab: “Gestão profissional de laboratórios”, com o objetivo de atender necessidades dos leitores, que porventura existam na área da gerência administrativa/financeira/econômica dos laboratórios clínicos. Vamos procurar enriquecer os conteúdos teóricos com exemplos práticos, sempre que possível, através dos conhecimentos adquiridos e desenvolvidos por meio das atividades de consultoria, junto a dezenas de laboratórios dos mais diversos portes no Brasil.

Acreditamos que este possa ser um diferencial para os nossos leitores. Ainda, estaremos à disposição para esclarecimento de eventuais dúvidas que os temas tratados suscitem, via redação da revista Newslab e outros meios disponíveis. Valorizamos a interação com o público leitor, podendo este, sugerir assuntos dentro do escopo da gestão profissional para laboratórios clínicos.

Nesta primeira seção vamos justificar as razões do título da seção, ou seja, quais os motivos de escrever sobre gestão profissional de laboratórios?

Segundo Heráclito de Éfeso, pensador grego dos idos de 540 A.C., “nada é permanente, exceto a mudança”. Isto nos leva ao conceito de disrupção: inovações que oferecem produtos acessíveis e criam um novo mercado de consumidores, desestabilizando as empresas que eram líderes no setor. Este processo ocorre ao longo de um intervalo de tempo. A disrupção pressupõe a quebra do paradigma vigente, seja qual for a área dos negócios.

Estamos na era da “Indústria 4.0”, ou quarta revolução industrial, que utiliza conceitos de sistemas ciber-físicos, internet das coisas e computação em nuvem, visando a execução de fábricas inteligentes. O setor de saúde no Brasil está vivendo o impacto de quatro revoluções, cujas mudanças provocadas deverão ser radicais e irreversíveis, transformando completamente o negócio, a forma de atuação e as perspectivas para todos no setor. São elas: tecnológica; econômica; socioeconômica e demográfica.

Nos laboratórios clínicos, o impacto pode ser sintetizado nos quadros a seguir:

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Os laboratórios terão pela frente, no mínimo, os seguintes cenários: exigência maior pelos testes laboratoriais remotos (point of care) e o mesmo para a biologia molecular/genética; crescente exigência para serviços e dispositivos de monitoramento residencial; foco em telemetria, dispositivos, artefatos, sensores e outros equipamentos acoplados aos smartphones e voltados a personalização dos serviços de cuidado pessoal; interpolaridade crescente entre os smartphones e as tecnologias vestíveis; as relações entre os diversos atores do “cluster da saúde” serão realizadas de forma cada vez mais remotas; a crescente conscientização da saúde pessoal deverá criar um novo perfil de sociedade, com novas exigências e orientações dogmáticas em saúde; as soluções tecnológicas irão exigir grande capacidade para lidar com enorme volume de dados aliada à velocidade de processamento, na área da saúde. Isto deverá proporcionar rapidamente registros clínicos em informação para a tomada de decisão em favor dos pacientes; os laboratórios clínicos deverão sair da sede física para chegar junto aos pacientes, médicos, fornecedores e pagadores dos serviços (convênios…), através da conectividade eletrônica; deverá haver demanda crescente pelos serviços de análises clínicas; deverá haver necessidade crescente de reduzir o prazo de entrega dos exames (menor tempo de resposta); necessidade crescente do diagnóstico precoce de doenças; deverá haver crescimento de subespecializações dentro das especialidades clínicas; novos “entrantes” na área de auxílio ao diagnóstico médico: equipamentos que utilizam pequenos volumes de amostra (uma gota…) para realizar centenas de exames; laboratórios portáteis, exames remotos e junto aos pacientes; união entre os serviços de diagnósticos por imagem com os laboratórios clínicos, junções, fusões, aquisições buscando soluções ecologicamente corretas; deverá haver demanda  crescente  para testes preventivos e de fatores de risco, particularmente nas áreas de oncologia, endocrinologia e ginecologia; idem para testes de toxicologia/abuso de drogas; pressão maior sobre os laboratórios hospitalares para recolher, interpretar e fornecer informações para os médicos e outros profissionais de saúde com a finalidade de monitorar a condição do paciente e de sua saúde em geral, visando reduzir o tempo de estadia; é esperado um aumento no número de laboratórios clínicos, em particular no setor independente, continuando a influenciar a indústria e colocando pressão nos laboratórios, num esforço para reduzir os custos; deverá haver uma contínua pressão descendente de preços; no entanto, o mercado vai ser compensado por um aumento no volume; entrada no mercado de “players” como o Google com altos investimentos em pesquisas, etc.

Pelo exposto, fica claro que atualmente não basta simplesmente graduar-se, especializar-se e abrir um novo laboratório. Não existe mais espaço para a aventura, para o amadorismo na gestão destes negócios. Há sim, a imperiosa necessidade de gestões profissionais nos laboratórios. Se não formos competitivos, não sobreviveremos como empreendedores. É neste contexto que se insere a proposta desta nova seção da revista NewsLab: uma pequena colaboração para ajudar os gestores laboratoriais enfrentarem este grande desafio presente e futuro, não só da sobrevivência, mas de tornarem suas organizações competitivas e rentáveis.


*HumbertFOTO FAÇANHAo Façanha da Costa Filho – professor e engenheiro, atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e do Laboratório Unidos de Passo Fundo/RS, professor do Centro de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas (CEPAC) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e professor do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA), curso de Pós-Graduação em Análises Clínicas.

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