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Diagnóstico por imagem: Galactocele – Relato de caso

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Conteúdo disponibilizado por Dr. Pixel*

Autora: Ana Lígia Minatel da Silva

Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Menezes Jales


 História Clínica

Mulher, 34 anos, lactante, relata nódulo um pouco doloroso na mama direita, palpável há cerca de um ano. Sem patologias de base.

Exame físico das mamas: Mama esquerda sem alterações. Mama direita com nódulo na junção dos quadrantes superiores, lobulado, fibroelástico e móvel, medindo aproximadamente 3 cm, sem sinais flogísticos associados. Complexos areolopapilares e regiões axilares bilaterais sem alterações.


 Imagens do Caso

 Mamografia

A mamografia mostrou um parênquima fibroglandular extremamente denso, com proeminência dos ductos principais (achados esperados para a idade e o período lactacional). Apesar disso, foi bem identificado na mama direita um nódulo com forma redonda, hipodenso e com margem circunscrita, medindo cerca de 3,0 cm. Classificação: achados benignos (BI-RADS® 2). Esse é um dos aspectos mamográficos da galactocele e sugere alta concentração de gordura na constituição do cisto, situação conhecida como “pseudolipoma”.
A mamografia mostrou um parênquima fibroglandular extremamente denso, com proeminência dos ductos principais (achados esperados para a idade e o período lactacional). Apesar disso, foi bem identificado na mama direita um nódulo com forma redonda, hipodenso e com margem circunscrita, medindo cerca de 3,0 cm. Classificação: achados benignos (BI-RADS® 2). Esse é um dos aspectos mamográficos da galactocele e sugere alta concentração de gordura na constituição do cisto, situação conhecida como “pseudolipoma”.

Ultrassonografia

A ultrassonografia identificou um nódulo oval, heterogêneo, circunscrito, paralelo à pele, sem fluxo ao Doppler, medindo 3,2 x 2,8 x 2,9 cm, corresponde ao nódulo palpável. Classificação: achado provavelmente benigno (BI-RADS® 3). Outros diagnósticos que frequentemente mostram esses achados ultrassonográficos são os adenomas lactantes e os fibroadenomas.
A ultrassonografia identificou um nódulo oval, heterogêneo, circunscrito, paralelo à pele, sem fluxo ao Doppler, medindo 3,2 x 2,8 x 2,9 cm, corresponde ao nódulo palpável. Classificação: achado provavelmente benigno (BI-RADS® 3). Outros diagnósticos que frequentemente mostram esses achados ultrassonográficos são os adenomas lactantes e os fibroadenomas.

Punção aspirativa por agulha fina (PAAF)

 

Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) com obtenção de material lácteo, o que confirmou o diagnóstico clínico e mamográfico de galactocele. Nesse caso não foi possível esvaziar completamente o conteúdo do cisto. A punção foi diagnóstica, mas não foi terapêutica.
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) com obtenção de material lácteo, o que confirmou o diagnóstico clínico e mamográfico de galactocele. Nesse caso não foi possível esvaziar completamente o conteúdo do cisto. A punção foi diagnóstica, mas não foi terapêutica.

Discussão

A galactocele é uma lesão benigna da mama, definida como uma coleção cística de conteúdo lácteo, revestida por epitélio cúbico achatado. Ocorre geralmente no final da gestação ou durante o período de lactação. Pode ser única ou múltipla, unilateral ou bilateral. A obstrução de um dos ductos lactíferos, idiopática ou por acúmulo e estase de leite, leva ao bloqueio da excreção láctea desse ducto e consequente a formação do cisto de retenção.  Além da lactação, a passagem transplacentária de prolactina, contraceptivos orais e lesões da mama que resultam em obstrução ductal local ou generalizadas, como cirurgia de mama, podem criar os fatores necessários para o desenvolvimento de galactocele.

O quadro clínico é geralmente de mulher jovem, gestante ou lactante, com um nódulo ou cordão fibroelástico mamário, discretamente doloroso, palpável há algumas semanas ou meses. A infecção secundária é a sua principal complicação. De maneira geral, o primeiro exame de imagem na avaliação de nódulos palpáveis em gestantes e lactantes deve ser a ultrassonografia, que nesses casos apresenta sensibilidade para a detecção de câncer próxima a 100%. Entretanto, os achados ultrassonográficos da galactocele são bastante heterogêneos. Em até 15% das galactocele, assim como no caso descrito, a ecotextura pode parecer sólida (hipoecóica, isoecoica ou heterogênea). As demais características ultrassonográficas, relacionadas à forma, à margem e à ausência de fluxo ao Doppler, costumam, nesses casos, sugerir um achado provavelmente benigno (BI-RADS® 3). Na maior parte dos casos a ultrassonografia mostra cisto simples (anecóico), cisto complicado (contendo debris) ou cisto complexo (ecotextura sólida e cística).  O principal diagnóstico diferencial da galactocele é com o adenoma lactante, o fibroadenoma e o abscesso. As galactoceles com ecotextura complexa podem também ser confundidos com o carcinoma da mama. Em casos duvidosos e/ou sintomáticos, pode ser realizada, preferencialmente sob visualização ultrassonográfica, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do cisto, que além de demonstrar o aspecto lácteo do conteúdo, pode aliviar os sintomas da paciente.

É muito importante que na suspeita clínica ou imaginológica de galactecele não seja realizada biópsia percutânea de fragmento ou biópsias incisionais ou excisionais do nódulo devido ao risco de fístula láctea.  Em mulheres com implantes mamários já foi descrita após biópsia assistida a vácuo, a fistulização do conteúdo de galactocele para a região adjacente ao implante e a formação de uma “pseudo-galactocele”. Assim, a biópsia deve ser reservada apenas para casos indeterminados, discordantes ou com achados citopatológicos suspeitos na punção por agulha fina. Assim, a conduta para a galactocele, em geral, é conservadora e inclui massagem localizada e revisão da técnica de amamentação. A resolução espontânea ocorre na maioria dos casos.


Referências

  1. Kim MJ, Kim EK, Park SY et-al. Galactoceles mimicking suspicious solid masses on sonography. J Ultrasound Med. 2006;25 (2): 145-51.
  2. Sabate JM, Clotet M, Torrubia S et-al. Radiologic evaluation of breast disorders related to pregnancy and lactation. Radiographics. 2007;27 Suppl 1 : S101-24.
  3. Postaugmentation galactocele. Harper JG, Daniel JR, McLean JN, Nahai F.Plast Reconstr Surg. 2013 May;131(5):862e-3e.
  4. Taylor D, Kulawansa ST, McCallum DD, Saunders C.  Peri-implant galactocele following vacuum-assisted core biopsy of the breast: a cautionary tale. BMJ Case Reports, 2013.
  5. https://radiopaedia.org/articles/galactocoele-1

*Sobre o Dr. Pixel:

LogoDisponível online desde dezembro de 2015, e atualmente com milhares de acessos por dia, o site Dr. Pixel (www.fcm.unicamp.br/drpixel) tem como objetivo o ensino e a atualização em diagnóstico por imagem. Suas aulas, discussões de casos e banco de imagens são destinados principalmente a estudantes da graduação em medicina, residentes e médicos especialistas ou não em diagnóstico por imagem.

O conteúdo do site é produzido no Hospital da Mulher “Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti” – CAISM –Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, São Paulo, Brasil, com o apoio dos Departamentos de Tocoginecologia e Radiologia e pelo setor de Medicina Nuclear da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) -UNICAMP. A execução técnica é de responsabilidade do Núcleo de Tecnologia da Informação da FCM. Todo o conteúdo do Dr Pixel foi preparado a fim de assegurar o anonimato dos pacientes.

 


 

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