Um estudo conduzido por investigadores do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), com equipas em Portugal e no Brasil, conclui que pessoas com Quociente de Inteligência (QI) elevado tendem a demorar mais tempo a responder durante situações de conflito, e que essa demora não deve ser confundida com insegurança, mas sim com um tipo de processamento cerebral mais profundo.
O trabalho, publicado na International Journal of Health Science (ISSN 2764-0159), da Atena Editora, uma das maiores editoras académicas do Brasil, analisa estudos de neuroimagem funcional e dados genómicos para mostrar que pessoas com QI acima de 130 pontos apresentam, em média, um aumento de 30% no tempo de resposta em tarefas cognitivas complexas, quando comparadas com pessoas de QI médio.
Para o autor principal do estudo, Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, Pós-Doutor em Neurociências e membro da Sigma Xi, da Society for Neuroscience e da Royal Society of Biology, esta é uma das ideias mais mal compreendidas em ambientes de trabalho e em processos de mediação de conflitos. “Quando alguém com QI muito elevado demora a responder numa discussão, muitas vezes a leitura que se faz é de hesitação ou falta de confiança. Os dados mostram exatamente o contrário: essa pessoa está a considerar mais variáveis, mais cenários e mais consequências antes de falar. É profundidade, não insegurança”, afirma.
O estudo propõe ainda estratégias concretas para mediadores de conflitos que trabalhem com pessoas sobredotadas, entre elas pausas programadas durante negociações, perguntas reflexivas e o uso de linguagem técnica adequada à área de cada pessoa. Segundo os autores, um estudo com 200 participantes mostrou que sessões estruturadas de brainstorming e discussão de cenários hipotéticos complexos resolveram conflitos 40% mais rapidamente e com uma taxa de satisfação 30% superior, em comparação com métodos tradicionais de mediação.
“Num momento em que se fala tanto de comunicação não violenta e de mediação em ambientes profissionais e familiares, este estudo traz um dado simples mas que muda tudo: adaptar o tempo de resposta às características cognitivas de cada pessoa pode ser a diferença entre um conflito que se arrasta durante meses e um conflito resolvido numa única conversa”, refere Fabiano de Abreu.
O artigo foi assinado também por Mirian Coden, Doutora em Educação, do Nortus Scientific Center; por Marco Aurélio Brocolli Lima, Bacharel em Administração de Empresas e Especialista em Gestão Empresarial, Business Intelligence e Ciência de Dados e Inteligência Artificial, investigador do Departamento de Neuronegócios do CPAH; por Bruna Coden da Silva, Historiadora e investigadora do NeuroTrainingLab Brasil e do Instituto Nortus para o Desenvolvimento Humano Global e Organizacional; e por Ana Elisa Pedrosa Botas, Física e Matemática, investigadora do Departamento de Física e Matemática do CPAH.
O CPAH é um centro de pesquisa sem fins lucrativos, com sede em Portugal e no Brasil, criado para dar estrutura a investigadores que, por diferentes razões, ficaram afastados do meio académico tradicional, e a autodidatas com produção científica relevante.