Equipa de Portugal e do Brasil cria equação matemática que explica por que o autismo “aparece” mais em alguns dias do que noutros | Newslab

Equipa de Portugal e do Brasil cria equação matemática que explica por que o autismo “aparece” mais em alguns dias do que noutros

Estudo publicado na International Journal of Health Science (ISSN 2764-0159), da Atena Editora, assinado por investigadores do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH)

Uma equipa de investigadores do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), com atividade em Portugal e no Brasil, publicou um modelo matemático que tenta explicar um fenómeno bem conhecido por famílias e clínicos que acompanham pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): a intensidade dos traços autísticos não é fixa, varia de dia para dia, mesmo quando a base genética da pessoa não muda.

O estudo, publicado na International Journal of Health Science (ISSN 2764-0159), da Atena Editora, uma das maiores editoras académicas do Brasil em volume de publicações, propõe uma equação sigmoide que junta oito neurotransmissores, entre eles dopamina, serotonina, oxitocina, GABA e glutamato, organizados em dois grandes grupos: um que modula e regula o sistema nervoso, e outro que ativa estados de alerta e stress.

Segundo o autor principal do estudo, Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, Pós-Doutor em Neurociências e especialista em Genómica, a ideia central nasce de uma observação clínica recorrente. “O que muitas vezes é descrito como inconsistência no comportamento de uma pessoa autista é, na verdade, o resultado de um equilíbrio neuroquímico que muda ao longo do tempo. A base genética, essa, não muda. O que muda é o quanto essa base se torna visível no dia a dia”, explica.

O modelo foi testado num caso fictício, criado para demonstrar a aplicação prática da equação: o de um adulto diagnosticado com TEA de Nível 1 apenas aos 40 anos, depois de décadas de mascaramento social, ansiedade crónica e esgotamento. A simulação acompanha esse perfil em três momentos, antes do diagnóstico, seis meses depois e dois anos depois, e mostra como a chamada “expressão fenotípica do autismo” pode diminuir significativamente com terapia e regulação sensorial, mesmo que a base genética continue exatamente igual.

“O ponto mais importante para quem recebe um diagnóstico tardio é este: parecer menos autista, depois de um processo terapêutico, não significa deixar de ser autista. Significa que a pessoa parou de gastar toda a sua energia a esconder quem é, e isso, por si só, já é uma melhoria enorme na qualidade de vida”, sublinha Fabiano de Abreu.

O artigo foi assinado também por Adriel Pereira da Silva Weber, Mestre em Neuropsicologia, Físico e Especialista em Gestão de Pessoas e Projetos, investigador do Departamento de Física do CPAH; por Luiz Felipe Chaves Carvalho, Cirurgião Ortopédico e Traumatologista, Especialista em Cirurgia da Coluna e Mestre em Neurociências, certificado pela American Academy of Regenerative Medicine; por Mirian Coden, Doutora em Educação e investigadora afiliada ao Nortus Scientific Center; e por Ravi Kaiut, Bacharel em Naturopatia, Mestre em Neurociência e Comportamento e Especialista em Neurociência, do Kaiut Yoga Institute.

Os autores reconhecem que o modelo ainda precisa de validação empírica, mas defendem que, numa altura em que o diagnóstico tardio de autismo em adultos tem vindo a aumentar em vários países, incluindo Portugal, dispor de uma ferramenta conceptual que distinga claramente “quantidade de autismo” de “visibilidade do autismo” pode ajudar a reduzir a pressão e a culpa que muitos adultos autistas sentem ao serem confrontados com a ideia de que “parecem mais ou menos autistas” dependendo do dia.

O CPAH é um centro de pesquisa sem fins lucrativos, com investigadores no Brasil e em Portugal, e conta atualmente, segundo a instituição, com a maior concentração de pessoas sobredotadas entre os seus membros.