Estudo de Caso – Fase I: Implantação do escalpe de coleta de sangue com dispositivo de segurança retrátil para coleta de exames laboratoriais em um Hospital Terciário de São Paulo

Autores: Sirleide Rodrigues de Sousa Lira, Sonia Pereira dos Santos Torres e Rosemeire Grosso


Resumo

Seguindo as diretrizes propostas pela JCI em relação à segurança do paciente e do colaborador, e as diretrizes na Norma Regulamentadora 32, um plano de ação para aumentar a segurança do profissional de saúde foi estabelecido. Objetivo Minimizar risco de acidentes com perfurocortante na coleta de exames laboratoriais. Método Através da implantação de um escalpe para coleta de sangue com dispositivo de segurança retrátil e com a capacitação contínua dos colaboradores e da promoção da conscientização por parte dos colaboradores e da e qualidade da amostra biológica coletada para aumentar a segurança no processo. Resultados: Redução de 99% dos acidentes com perfurocortante e aumento da satisfação dos colaboradores.


Introdução

A Joint Commission International (JCI) é globalmente considerada o padrão-ouro na certificação e acreditação na área da saúde, assim como é líder na acreditação de cuidados de saúde. Possui os mais rigorosos padrões de avaliação em qualidade e segurança do paciente (1).

Seguindo as diretrizes propostas pela JCI em relação à segurança do paciente e do colaborador e as diretrizes na Norma Regulamentadora 32, algumas pesquisas foram realizadas e evidenciamos durante o período de 2010 a 2012, a manipulação excessiva dos escalpes para a coleta de sangue e reencape de agulhas Estas situações expõem o profissional da saúde ao risco de acidentes perfurocortantes e à exposição ao material biológico. Tais acidentes podem oferecer riscos à saúde física e mental dos colaboradores(2).

A consequência da exposição ocupacional aos mais de 30 patógenos transmissíveis  por um acidente perfurocortante não está somente relacionada à infecção. A cada ano milhares de colaboradores da saúde são afetados por traumas psicológicos e sociais, sendo obrigados a alterar seus hábitos pelo medo de uma potencial contaminação, afastamentos e pelo uso de medicamentos profiláticos  Os acidentes ocasionados por picada de agulhas são responsáveis por 80 a 90% das transmissões de doenças infecciosas entre colaboradores da saúde. O risco de transmissão de infecção, através de uma agulha contaminada, é de um em três para Hepatite B, um em trinta para Hepatite C e um em trezentos para HIVI (3).

Um estudo do Pronto Socorro do Hospital Johns Hopkins observou que 29% dos pacientes atendidos pela instituição eram portadores ou de HIV, ou HCV ou HBV. Os colaboradores de enfermagem suprem a maior porção do cuidado direto ao paciente, 24 horas por dia nos hospitais e, consequentemente estão mais expostos ao risco de ferimentos ocupacionais (4).

Diante desta realidade e pela busca de um ambiente mais seguro para o profissional da saúde, foram criadas medidas para diminuir o risco de exposição ao profissional de saúde na fase pré-analítica.


Método

Para aumentar e garantir a segurança dos profissionais de saúde, uma pesquisa foi realizada afim de identificar no mercado um escalpe para coleta de sangue com um dispositivo de segurança que fosse capaz de reduzir os riscos ao profissional de saúde.

O trabalho foi organizado em quatro fases:

  • 1ª Fase:

Após seleção preliminar, foi realizada uma apresentação do escalpe e seu funcionamento à equipe de enfermagem atuante na fase pré-analítica com aula teórica e prática.

O escalpe apresentado possuía um dispositivo de segurança retrátil, ou seja, após o acionamento a agulha retraia automaticamente, sem que houvesse a manipulação da agulha pelo profissional de saúde, diferentemente do dispositivo padronizado que utilizava o sistema de ativação do dispositivo por trava de corrediça.

  • 2ª Fase:

Treinamento e capacitação da equipe

  • 3ª Fase

Validação individual no momento da coleta dos exames laboratoriais

  • 4ª Fase

Avaliação da satisfação da equipe.

O escalpe avaliado se adequava aos requisitos pré-estabelecidos pela instituição e pelos colaboradores que utilizariam o produto, fato este que trouxe grande satisfação e adesão da equipe de enfermagem. Os colaboradores também relataram grande satisfação dos pacientes.


Resultados

Após a validação do produto, o mesmo passou a ser utilizado para procedimento de coleta de sangue nos ambulatórios e andares, sendo que o foco era aumentar a segurança dos colaboradores.

No campo da assistência, buscou-se estimular a redução de acidentes com colaboradores da saúde, através do uso dos escalpes com dispositivo de segurança com retração automática durante a coleta de exames laboratoriais.

Evidenciamos, após uma comparação com anos anteriores, uma redução de 99% dos acidentes com perfurocortantes em coleta de sangue (figura 1). Este resultado trouxe à equipe grande satisfação pelo material adotado pela liderança. Ressalto ainda a importância da capacitação dos colaboradores na utilização do escalpe.


Considerações Finais

Após a análise dos indicadores percebe-se que a realização de um plano de ação para aumentar a segurança dos colaboradores nas áreas mencionadas era necessário, haja visto a redução de 99% dos acidentes ocorridos. É importante ressaltar que a capacitação contínua e a correta utilização do dispositivo durante a coleta de exames laboratoriais, foram essenciais para atingir este resultado e proporcionar aos colaboradores um ambiente mais seguro e confortável ao seu trabalho.

 


Bibliografia consultada

  1. Padrões de Acreditação da Joint Commission Internacional para Hospitais, 5º edição – Joint Commission Internacional. Consorcio Brasileiro de Acreditação de sistemas de Serviço de Saúde. Rio de Janeiro: CBA; 2014. Brasil.
  2. NR 32-Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2008. Disponível em: <http://www.trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf>. Acesso em: 14 Fev. de 2018.
  3. National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) (1999). NIOSH Alert: Preventing Needlestick injuries in Health CareSettings, DHHS (NIOSH) Publication No. 2000-18. Washington. DC: U.S. Government Printing Office.
  4. Panlilio AL, Cardo DM, Campbell S, Srivastava PU, Jagger H, Orelien JG et al. (2000). Estimate of the annual number of percutaneousinjuries in U.S. hearth care workers [Abstract S-T2-01 ]. In: Program and abstracts of the 4th International Conference on Nosocomialand Health Care-Associated Infections; Atlanta. March 5-9, 2000:61.
  5. Occupational Safety and Hearth Administration (1998). Occupational Exposure to Bloodborne Pathogens: Request for Information. Federal Register, 63,48250-48252. Esta pesquisa de mercado foi financiada por Becton, Dickinson Co.
  6. Kelen GD, Green GB, Purcell RH, et. Hepatite B e Hepatite C em pacientes do departamento de emergência. N Engl J Med. 1992;326:1399-1404
  7. Jagger J, De Carli G, Perry J, Puro V, Ippolito G. Chapter 31. Exposição ocupacional a patógenos sanguíneos: epidemiologia e prevenção. Em: Wenzel RP; Prevenção e Controle de Infecções Nosocomiais. 4th ed. Baltimorek Md: Lippincott, Williams & Wilkins; 2003.

 

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