Analogias em medicina: Doença dos Polis | Newslab 146

Por José de Souza Andrade-Filho*

A palavra diabetes deriva do verbo grego que significa atravessar, passar pelas pernas, formado de dia, que significa através + baino, passar, em alusão à perda excessiva de urina que caracteriza a doença descompensada. O termo melito deriva do latim, significando de mel, adoçado como mel. A doença engloba um grupo variado de afecções que tem em comum o aumento da glicose (açúcar) no sangue (hiperglicemia), que resulta de defeitos na secreção ou na ação da insulina. Esta é hormônio indispensável ao controle da glicose no nosso sangue, sendo fabricada nas ilhotas de Langerhans no pâncreas.

O radical poli- é elemento de composição que denota multiplicidade (do grego, polys = muito, muitos). Trata-se de radical empregado em numerosos termos técnicos, principalmente na terminologia científica e presente em todas línguas neolatinas. São numerosos os exemplos na área médica, como: poliartrite, polimiosite, policístico, polissacarídeo, policitemia, poliglobulia, politraumatizado etc. Em Rey, Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde, 2a. Ed. verifica-se registro de cerca de 80 (oitenta) termos técnicos contendo o radical poli (s).

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Nota-se, na síndrome diabética, um comprometimento de vários órgãos. A sintomatologia é muito variada e ampla, pois todas as nossas células e tecidos sofrem em graus diversos, gerando manifestações múltiplas. Um ser humano adulto, em média, compõe-se de cerca de um quatrilhão de células (1015), derivadas de um único óvulo fertilizado (União Internacional Contra o Câncer, 8ª Ed. Fundação Oncocentro de São Paulo/FOSP).

Cogitamos, como segunda opção ou sinonímia, denominar o diabetes de Doença dos Polis.

Em seguida, um cortejo muito resumido de sinais e sintomas observados na síndrome diabética:

  • Poliúria = muita urina.
  • Polidipsia = muita sede.
  • Polifagia = muita fome.
  • Poliangiopatia = muita lesão de pequenos vasos sanguíneos e outros.
  • Polineuropatia = muitas alterações nos nervos periféricos.
  • Polinefropatia = muitas lesões renais nos glomérulos e vasos renais.
  • Polioftalmopatia = muitas alterações na retina e no cristalino (catarata).
  • Policardiopatia = ver abaixo.

E outras…

“Há algumas décadas, foi proposta a existência de uma entidade anátomo-clínica autônoma, a miocardiopatia diabética. Para os que defendem sua autonomia, trata-se de afecção de patogênese complexa, capaz de provocar disfunção ventricular predominantemente diastólica em significativa porcentagem de diabéticos assintomáticos. Com o passar do tempo, ocorre insuficiência cardíaca franca, independente da coexistência de aterosclerose coronariana obstrutiva ou hipertensão arterial. Em estudos experimentais e, mais raramente, em seres humanos, identificam-se à microscopia eletrônica, alterações em cardiócitos. Ao microscópio de luz, chama atenção a fibrose miocárdica intersticial e/ou perivascular” (Fonte: L.O.Savassi Rocha. Brasileiro, G. Bogliolo Patologia 9ª.Ed.).


*José de Souza Andrade-Filho – Patologista no Hospital Felício Rocho-BH; membro da Academia Mineira de Medicina e Professor de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.


 

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