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O Câncer de Próstata e o Novembro Azul | Newslab 144

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Por Dr. Rafael Sakata


O Câncer de Próstata é o câncer mais comum no homem, depois do câncer de pele. No Brasil, a cada 7,6 minutos, um homem é diagnosticado com Câncer de próstata  e, a cada 40 minutos, um homem morre dele. A incidência dessa doença  aumenta com a idade,  sendo que, aos 75 anos, aproximadamente, 1 em cada 4 homens receberá esse diagnóstico. Tendo em vista tamanha importância dessa doença, foi criada uma campanha nacional com objetivo de conscientizar e de incentivar os homens à prevenção, chamada “Novembro Azul”, já que este câncer cursa de forma silenciosa nos estágios iniciais e um diagnóstico precoce representa uma chance de cura 90%.

Para saber mais sobre a  doença, precisamos conhecer um pouco sobre esse órgão: a Próstata. A Próstata é um órgão exclusivo do sexo masculino, localizada abaixo da bexiga e anteriormente ao reto, cuja principal função é manter os espermatozoides vivos e aptos para a reprodução. Uma das maneiras que ela realiza essa função é pela produção do PSA (Antígeno Prostático Específico), que nada mais é do que uma enzima responsável pela liquidificação do esperma.

Por ser produzido exclusivamente pela Próstata e por estar presente na corrente sanguínea, o PSA é utilizado na detecção do Câncer de Próstata e, quanto maior o seu valor, maior é a probabilidade de neoplasia.

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Entretanto, aproximadamente 20% dos casos de Câncer de Próstata ocorrem sem aumento nos valores do PSA. Além disso, o seu aumento não é exclusivo dessa doença, podendo estar relacionado a outras patologias prostáticas, dentre eles a infecção prostática, conhecida como prostatite ou o aumento benigno da próstata conhecida como Hiperplasia Prostática Benigna.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda o início das consultas urológicas anuais em todo homem a partir dos 50 anos e a partir de 45 anos naqueles que possuam parentes de primeiro grau acometidos pelo Câncer de Próstata ou sejam afrodescendentes. A prevenção ocorre com  história clínica detalhada, exame físico (“exame de toque”) e PSA. Já o diagnóstico de Câncer de Próstata é feito, exclusivamente, através da Biópsia de Próstata, a qual consiste na coleta de fragmentos da próstata, guiada por uma ultrassonografia transretal e posterior análise anatomo-patológica.

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Quando um paciente tem um PSA e/ou toque alterado, o urologista decidirá se será necessário realizar exames complementares para auxiliar no diagnóstico e diminuir os resultados falso negativos, principalmente, quando já foi realizado uma biópsia de próstata prévia ou se o valor do PSA se encontrar na “zona Cinzenta” (entre 2,5ng/ml e 10ng/ml). Nesses casos, o PSA livre é o exame mais utilizado pelos médicos, costumando ser solicitado em conjunto com o PSA total.

O primeiro consiste numa fração do PSA que se encontra livre na corrente sanguínea, sem estar ligada a nenhuma proteína. Sua Utilização também é associada ao PSA total, onde se faz um Cálculo da porcentagem do PSA livre (PSA livre/PSA Total), tendo maior chance de Câncer nos resultados menores de 20% e menor chance nos casos cuja relação é maior do que 20%.  Outro exame é a Ressonância Multiparamétrica de Próstata, um método de imagens de alta resolução, que não envolve radiação ionizante, e combina técnicas funcionais `as sequencias morfológicas ponderadas em T1 e T2, avaliando Perfusão do contraste e difusão de moléculas de água. Esse tipo de exame fornece informações complementares, como estadiamento, invasão tecidual e classificação de PIRADS, que semelhantemente a classificação para Câncer de Mama na mulher, fornece a probabilidade de acometimento neoplásico.

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Um exame que vem ganhando espaço no cenário atual é o P2PSA, que trata-se de um subtipo de PSA livre encontrado na corrente sanguínea, também aumentado na presença de câncer de próstata, tendo a vantagem de ser mais específico, auxiliando assim na decisão de realizar ou não a biópsia.

O tratamento do Câncer de Próstata depende de inúmeras informações e fatores, sendo as principais e mais conhecidas modalidades a radioterapia e a cirurgia. A primeira consiste na irradiação da próstata com intuito de matar as células cancerígenas, tendo avançado muito nos últimos anos com diminuição da exposição dos órgãos adjacentes à radiação. O tratamento cirúrgico por sua vez denomina-se Prostatectomia Radical, no qual ocorre a retirada total da próstata com as vesículas seminais. Assim como a radioterapia, a cirurgia, visando a diminuição dos efeitos colaterais, também progrediu. Uma das opções é a cirurgia laparoscópica, com auxílio de um robô, considerado um procedimento minimamente invasivo, possibilitando diversas vantagens, tais como melhor visualização com imagem em alta definição com aumento de 10x e visualização em 3D, eprodução de movimento com filtração de tremor, retorno mais rápido às atividades normais, redução no tempo de hospitalização, menor sangramento e menos transfusão e redução da dor.

Em resumo, com inúmeros exames existentes e em estudo, avanço tecnológico no diagnóstico e tratamento, somado a uma elevada chance de cura nas fases iniciais, não podemos deixar o Câncer de Próstata nos pegar desprevenido.

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Dr. Rafael Sakata é membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia – TiSBU – Pós-Graduado em Cirurgia Robótica – Hospital Alemão Oswaldo Cruz
– Fellowship in Urology Denver Health Center – Colorado University.

Contato: Email: [email protected]   Tel. (11) 35491802


 

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