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Analogias em medicina: Vidro fosco | Newslab 145

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Por José de Souza Andrade-Filho* 

Opacidades em vidro fosco (em inglês: ground-glass opacities or appearance) é comparação visual muito usada em certas áreas da medicina, servindo de parâmetro para a suspeita ou mesmo para o diagnóstico de algumas doenças.

Em radiologia do sistema locomotor o aspecto de vidro fosco é visto na displasia fibrosa, em deficiência de vitamina C (escorbuto) e na metaplasia mieloide. A opacificação na displasia fibrosa é explicada pela sobreposição de miríades de trabéculas ósseas insuficientemente calcificadas e dispostas em arranjo desordenado. Em histopatologia: na hepatite viral B crônica o citoplasma dos hepatócitos é abundante, granular e eosinofílico, contendo grande quantidade de HbsAg: são os hepatócitos em vidro fosco. Tal aspecto é devido à marcante hipertrofia do retículo endoplasmático liso. Nas infecções herpéticas pode haver multinucleação e núcleos amoldados em vidro fosco, refletindo o efeito citopático viral, tanto em infecções na genitália feminina, como em outros órgãos.

Em nossa pesquisa encontramos trabalho científico de grande valor sobre as pneumopatias que se manifestam com opacidades em vidro-fosco, de autoria de SANTOS, Maria Lúcia de Oliveira et al., com o título de “Opacidades em vidro fosco nas doenças pulmonares difusas: correlação da tomografia computadorizada de alta resolução com a anatomopatologia”, publicado no site do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (Vol. 36 nº 6 – Nov. / Dec.  of 2003), conforme o resumo abaixo:

Resumo:

“Opacidade em vidro fosco é achado frequentemente visto na tomografia computadorizada de alta resolução do tórax e se traduz pelo aumento do coeficiente de atenuação dos pulmões. Por sua inespecificidade, a associação com outros achados radiológicos, clínicos e anatomopatológicos deve ser considerada para uma interpretação diagnóstica mais correta. Os autores analisaram 62 exames tomográficos de pacientes com doenças pulmonares difusas, de 14 causas diferentes, em que opacidades em vidro fosco foram o achado único ou predominante, e feita correlação anatomopatológica por meio de biópsias ou necropsias. Na pneumocistose as opacidades em vidro fosco corresponderam, histologicamente, à ocupação alveolar por material espumoso contendo parasitos; no carcinoma bronquíolo-alveolar, a espessamento dos septos alveolares e ocupação de sua luz por muco e células tumorais; na paracoccidioidomicose, a espessamento dos septos alveolares, áreas de fibrose e alvéolos contendo exsudato broncopneumônico; na sarcoidose, a fibrose ou a acúmulo de granulomas; na fibrose pulmonar idiopática, a espessamento dos septos alveolares por fibrose; na bronquiolite obliterante com pneumonia em organização, a pneumonia intersticial com áreas de organização intra-alveolar. A ocupação alveolar por sangue foi observada nos casos de leptospirose, hemossiderose idiopática, metástases de tumor renal e na aspergilose invasiva; por vacúolos de gordura na pneumonia lipídica; por material proteico e lipoproteico na silicoproteinose e na proteinose alveolar; e por líquido de edema na insuficiência cardíaca congestiva”.


Crédito da imagem: Radiografia de displasia fibrosa na ulna direita com imagem em vidro fosco (arquivo Dr. José de Souza Andrade-Filho)


*José de Souza Andrade-Filho – Patologista no Hospital Felício Rocho-BH; membro da Academia Mineira de Medicina e Professor de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.


 

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