A participação da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) foi multifacetada, na atuação de diversas frentes do segmento de diagnóstico in vitro (IVD).
O 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC) confirmou seu papel como um dos principais fóruns científicos e de negócios do diagnóstico laboratorial brasileiro.
Realizado no Rio de Janeiro sob o tema “Diagnóstico Laboratorial na Era da Saúde 5.0”, o evento reuniu farmacêuticos, biomédicos e profissionais de laboratório, pesquisadores, gestores, indústria e entidades representativas do setor para abordar questões importantes de como o diagnóstico continuará sendo um dos pilares da medicina moderna e da saúde pública.

Nesse contexto, o laboratório clínico deixa de ser apenas um executor de exames para assumir uma posição estratégica na geração de conhecimento, na vigilância epidemiológica, na sustentabilidade dos sistemas de saúde e na tomada de decisão clínica.
Entre os destaques em que a CBDL atuou de forma marcante está o avanço da Política Nacional para o Diagnóstico Laboratorial (PNDL), particularmente importante para o setor e proposta pelo Projeto de Lei nº 5.478/2025, que busca estruturar e fortalecer a rede de diagnóstico laboratorial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
O CBAC promoveu discussões que reforçaram que ciência, inovação, qualidade, governança e transformação digital são pilares fundamentais para que o Brasil consolide uma política pública capaz de ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir desigualdades regionais e fortalecer a capacidade nacional de resposta aos desafios da saúde.
Resistência Antimicrobiana (RAM): um desafio que exige diagnóstico de excelência
Entre os diversos temas abordados, a resistência aos antimicrobianos (AMR) esteve entre os mais relevantes, assunto que a CBDL esteve à frente neste painel. As discussões reforçaram que o enfrentamento desse problema global depende diretamente da capacidade dos laboratórios em oferecer diagnósticos rápidos, precisos e capazes de apoiar programas de uso racional de antimicrobianos.
O painel evidenciou que microbiologia, biologia molecular, sequenciamento, vigilância laboratorial e integração de dados passam a desempenhar papel cada vez mais estratégico na contenção da disseminação de microrganismos resistentes, aproximando o diagnóstico laboratorial das políticas públicas de saúde e do conceito de One Health.
Um dos momentos mais marcantes foi a exibição do documentário produzido pelo Dr. Marcelo Piloneto, que utiliza a história do Phylobacter para mostrar como a investigação científica, a microbiologia e a inovação caminham juntas na compreensão das doenças infecciosas.

Outro destaque internacional foi a participação do professor Mario Plebani, referência mundial em medicina laboratorial e uma das maiores autoridades em qualidade nos laboratórios e segurança do paciente. Em suas apresentações, Plebani reforçou que o futuro passa pela gestão da qualidade em todas as etapas do processo diagnóstico, pela redução de erros laboratoriais e pela geração de valor para pacientes e sistemas de saúde.
Sua presença no congresso, com o apoio da Mindray, associada da CBDL, reafirmou o compromisso do CBAC em aproximar o Brasil das principais discussões internacionais da especialidade.
Governança também é inovação
O congresso também abriu espaço para uma discussão cada vez mais necessária: a profissionalização da gestão dos laboratórios.
Desta forma, o lançamento do curso “Governança Corporativa Muito Além do Conselho: sucessão e gestão no contexto de diagnóstico laboratorial”, por Marcus Lindgren, managing partner da Moore Brasil, organizado pela CBDL, trouxe para o centro do debate temas como sucessão empresarial, profissionalização da administração, estruturação de conselhos, gestão de riscos e sustentabilidade dos negócios.

Em um setor marcado por forte transformação tecnológica, consolidação de mercado e crescente complexidade regulatória, discutir governança deixou de ser um diferencial para se tornar um componente essencial da competitividade das organizações.
A indústria mostrou para onde caminha o diagnóstico
A tradicional feira de negócios do CBAC confirmou o vigor da indústria brasileira e internacional de diagnóstico.
Empresas líderes apresentaram soluções que refletem as principais tendências do setor como automação laboratorial de alta produtividade; diagnóstico molecular e testes rápidos; microbiologia automatizada; Inteligência Artificial aplicada ao laboratório; conectividade, interoperabilidade e transformação digital; sistemas de gestão laboratorial (LIS); equipamentos analíticos de última geração; reagentes, controles de qualidade e materiais de referência; e soluções para rastreabilidade, logística e gestão de amostras.
Entre os expositores estiveram algumas das principais empresas que atuam no mercado brasileiro, incluindo as associadas CBDL como bioMérieux, Sysmex, Mindray, Kovalent, The Binding Site, Euroimmun, Bioclin, Labtest, WAMA Diagnóstica, Vyttra, Wiener, Elitech Group, Controllab, Shift, Trinity Biotech, DB diagnóstico, Ranilog, entre outras.
O 51º CBAC demonstrou que o futuro do diagnóstico laboratorial será construído pela integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica, transformação digital, gestão qualificada e cooperação entre academia, indústria, laboratórios e órgãos públicos.

Para a indústria representada pela CBDL, essa convergência reforça uma mensagem importante: investir em inovação significa também investir em qualidade, governança, sustentabilidade e capacidade de responder aos grandes desafios da saúde, como a resistência antimicrobiana, o envelhecimento populacional, a medicina personalizada e a vigilância de novas doenças.
Mais do que apresentar novas tecnologias, o congresso mostrou que o diagnóstico laboratorial continua ampliando seu papel estratégico na construção de um sistema de saúde mais eficiente, integrado e orientado por evidências.