Um programa estratégico de prevenção de infecções hospitalares tem registrado resultados significativos em unidades de terapia intensiva públicas no Brasil, com redução mensurável de infecções e impacto positivo na segurança dos pacientes e na eficiência dos recursos de saúde. Dados oficiais indicam uma queda de 26% nas infecções associadas à assistência à saúde em UTIs de adultos, pediátricas e neonatais no período entre setembro de 2024 e outubro de 2025, refletindo o progresso de esforços coordenados de vigilância, capacitação e melhoria dos processos assistenciais.
O programa, implementado por meio de uma rede de instituições de saúde participantes do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), concentra-se em prevenir três tipos de infecções graves frequentemente associadas a dispositivos médicos invasivos: infecção primária de corrente sanguínea relacionada a cateter venoso central, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecção do trato urinário relacionada a cateter vesical. Medidas baseadas em evidências e protocolos padronizados foram aplicadas em UTIs para fortalecer práticas de higiene, manuseio de dispositivos e vigilância clínica.
Resultados clínicos e econômicos
A redução de infecções em ambientes críticos de atendimento hospitalar tem implicações diretas na morbidade e na mortalidade de pacientes que dependem de cuidados intensivos, refletindo a importância de ações estruturadas de prevenção e controle. Além disso, estima-se que essa melhoria na segurança do paciente tenha gerado uma economia superior a R$ 150 milhões ao sistema de saúde no período analisado, por meio da diminuição de complicações, internações prolongadas e custos associados ao tratamento de infecções evitáveis.
Especialistas em controle de infecções ressaltam que protocolos bem implementados não apenas reduzem taxas de infecções mas também fortalecem a cultura de segurança hospitalar e a capacidade institucional de resposta a ameaças infecciosas. Estratégias de vigilância sistemática, educação contínua de equipes assistenciais e adoção de melhores práticas clínicas são pilares fundamentais para alcançar e manter melhorias sustentadas nos indicadores de infecção relacionada à assistência à saúde. Protocolos dessa natureza são considerados padrão ouro em ambientes de cuidados intensivos e podem servir de referência para outras instituições que buscam elevar seus resultados clínicos e operacionais.
Contexto epidemiológico
Infecções associadas à assistência à saúde representam um desafio global de saúde pública, particularmente em unidades de terapia intensiva, onde pacientes estão mais vulneráveis devido à gravidade de suas condições clínicas e ao uso frequente de dispositivos invasivos. Estudos epidemiológicos independentes ressaltam a alta prevalência dessas infecções em ambientes hospitalares e a importância de sistemas robustos de monitoramento e prevenção para mitigar seus efeitos sobre a saúde e os custos assistenciais.
Perspectivas futuras
Com metas que incluem a redução de até 50% desses indicadores até o final de 2026, o projeto segue ampliando intervenções baseadas em evidências e promovendo intercâmbio de conhecimento entre instituições de saúde. A continuidade desses esforços é vista como essencial para consolidar avanços e impulsionar a segurança do paciente em serviços de alta complexidade.
Conclusão
O progresso alcançado até o momento demonstra que investimentos em prevenção e controle de infecções hospitalares resultam em benefícios clínicos tangíveis e em ganhos econômicos relevantes. A manutenção e expansão de práticas baseadas em protocolos rigorosos, aliados a vigilância eficaz e educação contínua, são estratégias centrais para enfrentar desafios persistentes na segurança hospitalar e aprimorar a qualidade da assistência em unidades críticas de saúde.


