SUS registra 9.904 testes positivos para HPV de alto risco | Newslab

SUS registra 9.904 testes positivos para HPV de alto risco e amplia rastreamento molecular

Disponível em 26 unidades da Federação, o teste de DNA-HPV passa a orientar o rastreamento do câncer do colo do útero. O genótipo detectado no laboratório define a primeira etapa da investigação

O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco entre cerca de 93 mil amostras processadas em 2026, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no fim de outubro. Disponível em 26 unidades da Federação à época do levantamento, o teste de DNA-HPV vem sendo implantado como exame primário de rastreamento do câncer do colo do útero.

A mudança tem uma consequência direta para a rotina dos laboratórios. A identificação dos genótipos 16 e 18 no laudo molecular permite distinguir quem deve ser encaminhado diretamente à colposcopia de quem precisa passar primeiro pela citologia reflexa.

Balanço do Ministério da Saúde

O que um resultado positivo informa

O teste molecular detecta DNA de tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), inclusive quando ainda não há alterações celulares identificáveis pela citologia. O resultado positivo indica a presença de DNA viral na amostra. A investigação de uma possível lesão depende das etapas seguintes do protocolo.

A maioria das infecções por HPV regride espontaneamente. É a persistência da infecção por tipos de alto risco que está associada ao desenvolvimento de lesões precursoras e do câncer cervical.

Organização Mundial da Saúde | Estimativa 2026 do INCA

O genótipo define o próximo passo

HPV 16 ou 18 detectado

A diretriz brasileira recomenda encaminhamento direto para colposcopia.

Outros tipos oncogênicos detectados

A indicação é de citologia reflexa, preferencialmente na mesma amostra utilizada para o teste molecular e sem necessidade de nova solicitação.

Quando a citologia reflexa revela alterações a partir de ASC-US, sigla para células escamosas atípicas de significado indeterminado, ou quando a amostra é insatisfatória para avaliação citológica, a diretriz indica colposcopia. Com citologia negativa, a recomendação inicial é repetir o teste molecular em 12 meses.

Na população de risco habitual, o rastreamento é oferecido a pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já iniciaram a atividade sexual. Em regra, um teste de DNA-HPV negativo permite um intervalo de cinco anos até a próxima rodada. O Papanicolau segue como exame de rastreamento nas localidades onde o teste molecular ainda não foi implantado.

Diretriz brasileira de rastreamento | Orientações do INCA sobre detecção precoce

O que a experiência de Indaiatuba mostrou

Um estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas comparou duas estratégias de rastreamento adotadas em períodos distintos em Indaiatuba, no interior de São Paulo. O programa organizado com teste de DNA-HPV identificou 21 casos de câncer do colo do útero, dos quais 67% estavam em estágio inicial. Na série histórica com rastreamento citológico, foram 12 diagnósticos, um deles em estágio inicial.

A idade média ao diagnóstico foi de 39,6 anos no programa com teste molecular e de 49,3 anos no período do rastreamento citológico.

A comparação reuniu duas mudanças, a adoção do teste molecular e a organização do rastreamento. Por isso, a diferença observada na idade ao diagnóstico deve ser interpretada no contexto do programa como um todo.

Na rotina do SUS, o seguimento começa no laboratório, com a identificação do genótipo e a realização da citologia reflexa quando indicada. A partir do laudo, cabe à rede assistencial garantir o encaminhamento para investigação ou o retorno para repetir o exame no prazo previsto.

Estudo de Indaiatuba | Diretriz brasileira de rastreamento