Dia Nacional de Controle da Asma destaca importância do diagnóstico e tratamento contínuo | Newslab

Dia Nacional de Controle da Asma reforça importância do diagnóstico preciso e do manejo contínuo da doença

Em 21 de junho, data dedicada à conscientização sobre a asma no Brasil, especialistas destacam o papel do diagnóstico adequado, da adesão ao tratamento e do monitoramento clínico para reduzir exacerbações, hospitalizações e impacto na qualidade de vida dos pacientes

A chegada do inverno coincide com o Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho. A data chama atenção para uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes no país e reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico e acompanhamento dos pacientes. O período de temperaturas mais baixas costuma estar associado ao aumento de sintomas respiratórios, favorecendo a procura por serviços de saúde e elevando o risco de exacerbações em indivíduos com a doença.

Caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, a asma provoca sintomas como falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de aperto torácico, que podem variar em intensidade ao longo do tempo. Embora seja uma condição amplamente conhecida, o controle inadequado ainda representa um importante desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo.

Uma doença frequente e ainda subcontrolada

A asma figura entre as doenças crônicas mais comuns da população brasileira. Estimativas do Ministério da Saúde indicam elevada prevalência da condição no país, com impacto significativo sobre a utilização dos serviços assistenciais. O Sistema Único de Saúde registra milhares de internações relacionadas à doença todos os anos, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios e exposição a fatores desencadeantes ambientais.

Além do impacto clínico, a doença está associada à redução da produtividade, absenteísmo escolar e laboral e comprometimento da qualidade de vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a asma continua sendo uma importante causa de morbidade evitável, apesar da disponibilidade de terapias eficazes.

Diagnóstico: o papel estratégico dos exames funcionais respiratórios

O diagnóstico da asma exige correlação entre história clínica e demonstração objetiva de limitação variável do fluxo aéreo. Nesse contexto, os laboratórios e serviços especializados em função pulmonar desempenham papel fundamental.

A espirometria permanece como o principal exame para confirmação diagnóstica, permitindo avaliar parâmetros ventilatórios e a resposta ao broncodilatador. Diretrizes internacionais, como as da Global Initiative for Asthma (GINA), reforçam a importância da confirmação objetiva da doença sempre que possível, reduzindo riscos de subdiagnóstico ou diagnóstico incorreto.

Nos últimos anos, biomarcadores inflamatórios também vêm ganhando relevância na estratificação de pacientes. Entre eles, destaca-se a dosagem do óxido nítrico exalado (FeNO), ferramenta que auxilia na identificação de inflamação do tipo 2 e pode contribuir para decisões terapêuticas em casos selecionados.

Controle da inflamação é prioridade

As recomendações atuais enfatizam que o tratamento da asma deve ter como foco principal o controle da inflamação brônquica, reduzindo sintomas e prevenindo exacerbações graves.

Segundo a atualização mais recente da Global Initiative for Asthma (GINA), o controle da inflamação das vias aéreas deve permanecer como o eixo central do tratamento da asma. As recomendações atuais privilegiam estratégias terapêuticas baseadas em corticosteroides inalatórios, frequentemente associados ao formoterol, em detrimento do uso isolado de broncodilatadores de alívio. A adoção dessa abordagem tem sido associada à redução do risco de exacerbações graves, atendimentos de emergência e hospitalizações.

Especialistas alertam que a interrupção do tratamento após períodos de melhora clínica continua sendo uma das principais causas de descontrole da doença. A adesão terapêutica, associada ao acompanhamento regular e à correta técnica de inalação, permanece como elemento central para obtenção de bons resultados clínicos.

Acesso ao tratamento e desafios para a saúde pública

Embora existam terapias eficazes e protocolos clínicos consolidados, barreiras relacionadas ao acesso e à continuidade do tratamento ainda limitam o controle adequado da doença em parte da população.

Entidades médicas e científicas têm defendido a ampliação do acesso a medicamentos inalatórios recomendados pelos protocolos nacionais, incluindo associações de corticosteroides e broncodilatadores de longa duração para pacientes elegíveis. A disponibilidade dessas terapias é considerada fundamental para reduzir a carga assistencial associada à doença.

Em escala global, a asma afeta mais de 260 milhões de pessoas e permanece responsável por centenas de milhares de mortes anualmente, muitas delas potencialmente evitáveis com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Conscientização que vai além da data

O Dia Nacional de Controle da Asma representa uma oportunidade para reforçar mensagens que permanecem válidas durante todo o ano: reconhecer sintomas precocemente, buscar confirmação diagnóstica, aderir ao tratamento prescrito e realizar acompanhamento periódico.

Para laboratórios clínicos, serviços de diagnóstico e profissionais da saúde, a data também destaca a importância da integração entre diagnóstico funcional respiratório, monitoramento clínico e educação do paciente. Em uma doença marcada por períodos de estabilidade e exacerbações imprevisíveis, o controle efetivo continua sendo a ferramenta mais importante para reduzir complicações e preservar a qualidade de vida.

Referências

  • Global Initiative for Asthma (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention 2025. Disponível em: https://ginasthma.org
  • Ministério da Saúde. Dia Nacional de Controle da Asma. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br
  • Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Conteúdos institucionais sobre asma e controle da doença. Disponível em: https://sbpt.org.br
  • Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Protocolos e diretrizes para manejo da asma. Disponível em: https://www.gov.br/conitec
  • Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Materiais técnicos e educativos sobre asma. Disponível em: https://asbai.org.br