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Zika vírus é modificado para combater câncer no cérebro

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O zika vírus, transmitido pelo mesmo mosquito da dengue (Aedes aegypti), foi identificado no Brasil pela primeira vez em abril de 2015. Até maio deste ano, quando o Ministério da Saúde anunciou o fim da emergência nacional, o País já havia confirmado mais de 2.700 casos – ligados ao vírus – de microcefalia em recém-nascidos. Mas, da mesma forma como é capaz de provocar problemas, o zika vírus pode ser usado para tratar um tipo de tumor maligno no cérebro, aponta um novo estudo norte-americano publicado no “Journal of Experimental Medicine”.

Cientistas da Universidade de Washington em St. Louis, da Universidade da Califórnia em San Diego e do Instituto de Pesquisa Lerner da Clínica Cleveland demonstraram, em laboratório, como cepas geneticamente modificadas do zika vírus conseguiram prolongar a vida de camundongos com glioblastoma – forma mais comum de câncer no cérebro, fatal em até dois anos na maioria dos casos, mesmo após a quimioterapia. Foi possível obter esse resultado por meio de uma técnica chamada virusterapia, ao fazer com que o vírus localizasse e destruísse especificamente as células-tronco cancerígenas que estimulavam a progressão do tumor, poupando as células saudáveis.

Segundo os pesquisadores, esse pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de cepas de zika vírus seguras para tratamento que combina remédios contra a doença e virusterapia para atingir e destruir as células tumorais resistentes. Como os camundongos não são hospedeiros naturais desse vírus, os cientistas tiveram que adaptar uma cepa a eles. O grupo avalia agora o potencial de uso do zika vírus contra outros tipos de câncer. Segundo o doutor Jeremy Rich, um dos líderes do estudo na Universidade da Califórnia e na Clínica Cleveland, a atual pesquisa combinada com trabalhos anteriores proporcionou também novos conhecimentos sobre a infecção pelo zika vírus. “Ele é mais – embora não exclusivamente – patogênico durante o estágio de desenvolvimento inicial [fetal] do indivíduo”, explica Rich.


Fonte: The Journal of Experimental Medicine, setembro de 2017 / via Conselho de Informações sobre Biotecnologia


 

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