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Edição genética pode ser a esperança de cura para portadores de Beta talassemia

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A beta talassemia um tipo de hemoglobinopatia, sendo uma doença genética monogênica, ou seja, causada pela mutação em único gene. Sua causa reside na mutação no gene HBB, um dos genes responsáveis pela produção de hemoglobina, a proteína responsável pelo para transporte de oxigênio que é carregada pelas hemácias. Os portadores dessa mutação são acometidos por diferentes níveis de anemia que podem resultar em diversas complicações, nos sistemas cardiovascular, endócrino, hepático, ósseo e respiratório.

Foto: Conselho de Informações de Biotecnologia

 

Recentemente, com as novas técnicas de melhoramento de precisão (TIMP), como são chamadas diversas ferramentas de edição genética, abriu-se a possibilidade de editar o gene mutante e curar a beta talassemia. A mutação sofrida pelo gene produz uma hemoglobina “defeituosa”, incapaz de realizar corretamente o carreamento de oxigênio pelos tecidos do corpo, causando diversos danos.

O gene HBB é o responsável por dar instruções a estruturação da beta-globina, uma das quatro peças da hemoglobina  (formada por quatro, duas alfas e duas betas). Ao todo, são conhecidas mais de 200 mutações no gene HBB que podem que podem levar ao desenvolvimento de beta-talassemia. Exatamente por isso, a modificação genética por meio de CRISPR, uma técnica de edição genética utilizado para modificar sequências de DNA com precisão, é promissora para a substituição do gene mutante por um gene que produz a proteína original.

Tratamentos disponíveis

Atualmente o tratamento para os portadores de talassemias é a realização regular de transfusões de sangue. Esse tratamento buscar proporcionar a quantidade adequada de oxigênio, e em a crianças doentes, procura garantir o crescimento e desenvolvimento necessário. Considerando métodos que podem levar à cura, o transplante de medula óssea é o único que pode garantir reversão total. Entretanto, para que seja bem sucedida é necessário que exista doadores saudáveis e compatíveis com o paciente acometido pela doença, em geral um irmão. Ainda assim, o transplante de medula tem alto risco de rejeição, mesmo entre indivíduos com grande parentesco.

Terapia gênica

A possibilidade de realizar essa “troca” de genes, poderia oferecer aos portadores de beta talassemia um “norte” para a cura, superando as debilidades observadas pelo transplante de medula óssea. A terapia gênica consiste na retirada de células-tronco da medula óssea de uma pessoa com beta-talassemia, realizando posteriormente a correção do gene mutanta. A célula corrigida se multiplica e depois são novamente introduzidas no paciente. Uma vez que isso tenha sido feito, a célula-tronco com o gene corrigido irá se multiplicar na medula óssea e será capaz de produzir hemoglobina funcional. Após um período, todas as células “defeituosas” seriam substituídas naturalmente.

Entretanto, tal terapia ainda esbarra em grandes elementos dificultadores: é um processo complexo e caro, tendo como principal inconveniente é sua baixa eficácia, sendo que a substituição do gene é um dos pontos mais críticos.

Ainda assim, existe registro de um paciente que alcançou a independência de transfusões após dois a três anos após a correção de genes em células tronco da medula óssea.

CRISPR para curar a beta talassemia

A CRISPR é uma tecnologia de edição genética que permite ao cientista realizar alterações no genoma de um organismo em regiões únicas e específicas. Também é de mais fácil aplicação quando comparada a outras técnicas que modificam o DNA.

Utilizando a CRISPR é possível retirar o gene HBB defeituoso e substituir por uma versão correta do gene. Muito menos trabalhoso do que tentar corrigir o gene utilizando outras técnicas moleculares, que muitas vezes não resultam em um gene funcional.

Dessa forma, as barreiras superadas pela CRISPR dizem respeito na facilidade de construção de um mecanismo, capaz de transformar uma célula defeituosa em uma célula funcional.

Informações: Centro de Informações de Biotecnologia

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