O Dia Mundial de Combate à Hepatite é celebrado no dia 28 de julho em homenagem ao aniversário do professor Baruch Samuel Blumberg, descobridor do vírus da Hepatite B. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 325 milhões de pessoas vivem com os vírus da hepatite B ou C em todo o mundo e mais de 1 milhão de pessoas morrem anualmente por conta da doença.
Ainda, apenas 9% das pessoas que possuem o vírus da hepatite B sabem que convivem com a doença. No caso da Hepatite C, o número é um pouco maior, 20% das pessoas têm esse conhecimento.
Como identificar?
Para o diagnóstico adequado e acessível dessa população crescente, uma das ferramentas que desponta como alternativa para acessar essas informações é o Point of Care (POC). Popularmente conhecidos como testes laboratoriais remotos ou testes rápidos, o POC é um termo que denomina uma série de tecnologias de cuidado no ponto de atenção, permitindo a testagem para doenças ou substâncias específicas de forma ágil e sem a necessidade de estrutura cara e imobilizada de laboratório de análises clínicas.
Paula Távora, patologista clínica e mestre em imunologia pela Universidade de Cambridge, Reino Unido, afirma que exames de Point of Care são mais fáceis de serem realizados em comparação a testes mais elaborados.
“Alertar sobre as hepatites e convidar esse paciente até um laboratório para a realização de exames não é tão eficiente quanto ir até ele com um teste seguro, confiável e recomendado pela comunidade científica. É uma oportunidade muito rica de transformar desinformação em informação e diagnóstico precoce”, explica.
Diante desse cenário, diagnóstico precoce e prevenção ganham um peso ainda maior. Para Távora, o modelo coletivo de ação mais promissor e economicamente viável é o de triagem via testes sorológicos rápidos. Realizados em uma janela curta de aproximadamente 15 minutos e por meio de uma única amostra de sangue coletada via lanceta, os testes sorológicos já são, inclusive, foco da recomendação nº 2/2016 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que dispõe sobre a conveniência e oportunidade de os médicos oferecerem aos pacientes, em consulta médica, a solicitação de testes para hepatites B e C, HIV e sífilis.
“Mesmo recomendados pelo Conselho, a indicação desses testes rápidos ainda engatinha no País. Essa cultura de prevenção e diagnóstico precoce precisa ser foco não apenas da população, mas da classe médica como um todo. Estamos falando de um teste acessível, rápido e viável, já disponível no SUS em Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento, além de clínicas regulamentas e laboratórios clínicos de algumas regiões do Brasil”, ressalta a médica que também é presidente do Conselho de Ex-presidentes da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML).