fbpx

Dengue pode gerar imunidade contra Zika

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Estudo apresenta evidências de que infecção prévia pelo vírus da dengue pode gerar anticorpos que inviabilizam a ação do Zika no organismo humano 

Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros de diversas instituições, identificou novas evidências de que uma infecção prévia pelo vírus da dengue pode gerar imunidade contra o vírus causador da Zika. A conclusão foi apresentada em um estudo publicado na quinta-feira na revista Science. De acordo com o trabalho, o organismo de quem já teve dengue produziria anticorpos capazes de impedir que o vírus Zika penetre nas células e desencadeie uma infecção.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram dados de um amplo estudo envolvendo 1.453 moradores da favela de Pau de Lima, localizada em Salvador, na Bahia. Sabe-se que aquela comunidade convive com o vírus da dengue há pelo menos 30 anos e foi uma das principais áreas afetadas pelo Zika na epidemia de 2015.

Amostras de sangue coletadas antes, durante e depois de a epidemia se instalar na região foram submetidas a um ensaio para medir a resposta de um anticorpo produzido pelo sistema imune, a imunoglobulina G3 (IgG3), contra a NS1, proteína do Zika encontrada na corrente sanguínea logo nos primeiros dias após a infecção.

Os pesquisadores encontraram sinais de IgG3 em 73% das amostras colhidas em outubro de 2015, no auge da epidemia de Zika na região. Isso sugere que as pessoas em Pau de Lima tiveram bastante contato com o vírus transmissor da doença à época. Algumas, no entanto, não foram infectadas. Os pesquisadores, então, analisaram as amostras de sangue colhidas antes do início do surto de Zika, em março de 2015. Ao analisá-las, identificaram que alguns indivíduos tinham níveis bem elevados de anticorpos contra o vírus da dengue.

Os resultados levaram os pesquisadores a inferir que múltiplas exposições ao vírus da dengue teriam protegido as pessoas contra o Zika. “Nossos achados sugerem que cada duplicação dos níveis de anticorpos contra dengue corresponde a uma redução de 9% no risco de infecção pelo Zika”, explica o médico brasileiro Ernesto Azevedo Marques, do Departamento de Microbiologia e Doenças Infecciosas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo na Science.

O trabalho também envolveu a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de São José do Rio Preto (Famerp), em São Paulo, além do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco e da Flórida, ambas nos Estados Unidos. O grupo da Famerp contou com apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático e de um Auxílio à Pesquisa em Políticas Públicas para o SUS.

Marques esclarece que os dois vírus integram a família dos flavivírus e são geneticamente muito semelhantes. Por causa dessa semelhança, pensava-se que a infecção prévia por dengue pudesse gerar quadros mais graves de febre Zika, parecidos com os que ocorrem na dengue hemorrágica, quando a pessoa que já havia tido a doença é infectada por outro subtipo do vírus.

“Nesses casos, os anticorpos que o sistema imune produz da primeira vez contra um dos subtipos do vírus da dengue — são quatro no total — não neutralizam os outros de modo eficiente”, afirma o brasileiro, que também é pesquisador associado do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Recife, Pernambuco. “No caso da dengue, a infecção por um subtipo gera uma reação cruzada contra as outras variedades do vírus, o que pode facilitar a sua entrada nas células do sistema de defesa, nas quais ele se reproduz, aumentando o número de suas cópias e a gravidade da infecção.”

Do mesmo modo, imaginava-se que a imunização parcial que favorece o agravamento da dengue também pudesse facilitar a infecção por Zika. O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e um dos autores do trabalho, lembra que no início da epidemia vários estudos in vitro demonstraram que os anticorpos antidengue facilitariam a infecção por Zika por meio de um mecanismo chamado facilitação mediada por anticorpos (ADE, na sigla em inglês). “Esse mecanismo seria responsável por quadros de febre Zika mais graves”, destaca Nogueira, que coordenou um estudo publicado em 2017 na Clinical Infectious Diseases que indicou que, em seres humanos, uma infecção prévia por dengue não leva necessariamente a um quadro mais grave de Zika (Leia em http://agencia.fapesp.br/25549). Ambos são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

Segundo Nogueira, agora, no estudo publicado na Science, não apenas foi demonstrado que o fenômeno ADE não ocorre, como que as pessoas que haviam se infectado pela dengue e desenvolveram altos níveis de anticorpos nem sequer se contaminaram pelo Zika durante o surto de 2015.

No estudo, os pesquisadores também identificaram contrastes epidemiológicos dentro da própria comunidade. Em algumas áreas de Pau de Lima, todos os moradores se contaminaram com o vírus Zika. Em outras, nenhum caso foi registrado. “Ainda não sabemos como foi a dinâmica da epidemia na região nordeste como um todo”, comenta Marques. Também não se sabe o efeito de uma infecção prévia pelo vírus da dengue nos casos de infecção por Zika em gestantes. “Existem estudos em andamento investigando essa questão”, diz.

O artigo científico, assinado por Rodriguez-Barraquer, Isabel et al. “Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region”, foi publicado na revista Science. v. 363, n. 6427, p. 607-10. fev. 2019.


Fonte: Agência FAPESP

Confira a ultima edição da Newslab

Evento internacional incentiva a inovação e promove negócios em Ciências da Vida na América Latina

“Inovação & Partnering para Alavancar a Bioeconomia na América Latina” é o tema 5º edição da BIO Latin America, conferência organizada pela Biotechnology Innovation Organization

Leia mais

Fleury Medicina e Saúde lança edição atualizada do ‘Atlas de Diagnóstico por Imagem em Cardiologia’

Na 40ª edição do Congresso da SOCESP, médicos do Fleury lançam livro sobre métodos de diagnóstico e discutem casos de doença coronária e estenose aórtica 

Leia mais

Grupo Polar é representante autorizado das vestimentas DuPont Tyvek IsoClean para ambientes controlados

A vestimenta reduz riscos de contaminação, enquanto garante proteção para os processos, produtos e pessoas.    Com quase 20 anos de experiência, o Grupo Polar é atualmente o maior fabricante nacional

Leia mais

Diagnóstico por imagem: Adenocarcinoma em divertículo duodenal e ressonância magnética

Autor: Vanessa Mizubuti Brito¹  Colaboradores: Klaus Schumacher¹, Bruna Zaidan²  Orientador: Antônio Eustáquio Dantas da Silva Júnior³  O caso é uma apresentação típica em localização atípica e curiosa. Escolhemos esse

Leia mais
Seções
Fechar Menu