A taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes com covid-19 é igual ou superior a 80% em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal, sendo que em 15 estados atingiu 90% ou mais, segundo boletim emergencial emitido na segunda-feira (16) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Em relação às capitais, 25 têm taxas superiores a 80% de ocupação de leitos de UTI. Destas, 19 estão acima de 90%.
Na mesma data, o Brasil teve o dia mais letal de toda a pandemia, com 2.798 óbitos pela doença e filas de espera em UTIs. O país registrou 282.400 mortes e 11.609.601 casos na manhã de quarta-feira (17).
“Trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. É praticamente o país inteiro com um quadro absolutamente crítico”, afirmam os pesquisadores do Observatório Covid-19, criado pela instituição para monitorar a pandemia no país e o sistema de saúde durante a pandemia de SARS-CoV-2.
O Observatório usa dados das secretariais estaduais de Saúde e do Distrito Federal e das secretariais municipais das capitais. O boletim emergencial apresenta as taxas de ocupação de leitos de terapia intensiva desde 17 de julho de 2020.
Mapa: Taxa de ocupação (%) de leitos de UTI de covid-19 para adultos
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Imagem: Fiocruz |
Os especialistas pedem rigor e urgência nas restrições às atividades não essenciais e reforçam a necessidade de ampliar as medidas de proteção não farmacológicas.
“Chamamos à atenção para o fato de a situação da pandemia por covid-19 ser gravíssima. Um conjunto de indicadores, incluindo as médias móveis de casos e de óbitos e as taxas de ocupação de leitos UTI covid-19 para adultos, apontam para situação extremamente crítica ou mesmo colapso, em todo o país. De modo urgente, é fundamental ampliar e intensificar conjunto de medidas não-farmacológicas, com medidas de supressão ou bloqueio da transmissão e do uso de máscaras de proteção, como principal medida de controle e redução do número de casos por covid-19, buscando reverter ou evitar colapsos no sistema de saúde, para reduzir drasticamente os níveis de transmissão e de casos e, consequentemente, o número de mortes evitáveis. Este conjunto de ações se faz necessário de forma coordenada e com monitoramento do panorama epidemiológico nos estados, até que a vacinação seja intensificada e seja atingida uma ampla cobertura vacinal. Também é importante a comunicação efetiva dos riscos de transmissão, cuidados necessários e a justificativa das medidas”, escreveram os pesquisadores.
Disso depende a contenção da calamidade. “No dia 17, o Rio de Janeiro chegou a 94% de ocupação. Estamos colapsados”, disse ao Medscape o epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fiocruz.
Se tudo continuar como está, com aglomerações no transporte coletivo, nas ruas e em diversas situações, as perspectivas são sombrias. “Se não diminuirmos os casos, não diminuiremos os pacientes graves e, consequentemente, internações e mortes”, disse o pesquisador.
O momento exige um grande esforço para conter o aumento dos casos e mortes. “Se as medidas de isolamento funcionarem bem, apresentaremos uma diminuição de leitos em abril. Mas tudo depende da diminuição da curva de contágio”, afirmou o epidemiologista.
Na visão do Observatório, é preciso antecipar o problema. “A maioria dos estados só adota medidas mais rígidas quando o caos já está instalado. Elas precisam ser tomadas antes que isso seja necessário”, diz Diego.
A utilização da taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva não é, na visão do especialista, um indicador suficientemente sensível para classificar a intensidade da pandemia.
“Isso não é antecipar o problema, mas tentar remediá-lo”.
Segundo ele, há indicadores mais adequados, como o número de casos e a positividade de testes, além de casos detectados com base no rastreamento de contatos para quebrar cadeias de transmissão.
FONTE: Covid-19: Fiocruz aponta colapso sanitário e hospitalar – Medscape – 17 de março de 2021.