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Câncer de próstata: medicina nuclear apresenta nova ferramenta para detectar metástases

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Exame utiliza substância radioativa para detectar metástases imperceptíveis por outros meios

A sigla é extensa, mas a finalidade do PET/CT com PSMA-68Ga é essencialmente simples. O exame permite realizar um rastreamento preciso de células metastáticas de câncer de próstata e é uma das técnicas mais recentes da Medicina Nuclear, ramo da medicina ainda pouco conhecido no Brasil que utiliza substâncias radioativas conhecidas como radiofármacos para diagnóstico e tratamento de doenças.

Em suma, a ferramenta permite aos médicos identificar com extrema precisão se as células de um câncer de próstata, o segundo mais comum entre homens no Brasil, de acordo com o INCA, já se encontram em outros locais do corpo. Essa informação é fundamental para que os médicos possam definir com exatidão o melhor tratamento para o paciente e entender a extensão da doença. É o que explica a médica nuclear e diretora do serviço especializado da MND Campinas, Elba Etchebehere.

“Embora seja considerada uma tecnologia recente, já existem diversos estudos que analisaram o impacto do PET/CT com PSMA-68Ga na conduta terapêutica. De maneira geral, seu uso é apontado como um fator dramático para a alteração da forma como os médicos abordam a doença. Alterando em até 50% a conduta, o exame é visto como peça chave para abordagens individualizadas do câncer de próstata, visando maiores chances de cura e menores impactos e sequelas”, ressalta.

Fazendo o câncer aparecer

A sigla extensa remete ao uso de um traçador específico, denominado Prostate Specific Membrane Antigen (daí o PSMA). Essa proteína de superfície se encontra em altas quantidades em células metastáticas do câncer de próstata, fazendo com que a substância injetada nos pacientes “procure” pelas metástases por menores que sejam. Para o exame, o PSMA é marcado com uma substância radioativa conhecida como Gálio-68.

“Esse isótopo radioativo é completamente seguro nas concentrações utilizadas e as imagens são realizadas no equipamento chamado PET/CT. A técnica literalmente faz o câncer brilhar no exame, permitindo aos médicos identificar as células metastáticas”, conta Elba.

Indicação e acesso

O médico nuclear Allan Santos, que também atua na MND Campinas, pontua que atualmente o PET/CT com PSMA-68Ga é indicado em duas situações específicas: na recidiva bioquímica e no estadiamento primário do tumor. Recidiva bioquímica é o termo utilizado pelos médicos quando ocorre aumento no sangue do antígeno prostático específico (PSA) após o paciente com câncer de próstata já ter sido tratado com cirurgia ou radioterapia. O aumento do PSA no sangue indica a presença ou o crescimento das células tumorais da próstata, mas não mostra a sua localização. A localização precoce destas células pode aumentar a eficiência do tratamento.

“Nesses pacientes, o PSMA é capaz de detectar o câncer mesmo se o PSA estiver baixo, indicando a presença de câncer em linfonodos pélvicos ou mesmo metástases ósseas, as mais comuns para câncer de próstata”, explica ele.

Já no segundo caso, do estadiamento primário do tumor, o exame é indicado para pacientes com câncer de próstata de alto risco, uma vez que a técnica de imagem permite definir com exatidão em que estágio o tumor se encontra e qual a melhor conduta a se seguir. É nessa hora que as mudanças dramáticas no planejamento da radioterapia, por exemplo, podem ser sentidas.

“O acesso a esse exame ainda é incipiente no estado de São Paulo. Ele ainda não está disponível pelo SUS e atualmente só é oferecido em serviços da capital. Entretanto, a MND Campinas deve passar a oferecer o PSMA em Campinas a partir do final de dezembro e começo de janeiro. Esperamos com isso facilitar o acesso da população do interior do estado ao que existe de mais moderno em medicina nuclear para câncer de próstata”, finaliza.


 

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