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Aluna da Unesp avalia novo tratamento para o câncer de mama

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Estudo utiliza sistemas nanoestruturados como carreadores de doxorrubicina

Natalia Maria Candido, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Biociências do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, Câmpus São José do Rio Preto, defendeu a tese de doutorado intitulada “Estudo de sistemas nanoestruturados como carreadores de doxorrubicina no tratamento do câncer de mama”.

Resumo

O câncer de mama é um grave problema de saúde pública, não só pela elevada incidência e mortalidade, como pelo tratamento muitas vezes ineficaz. Isto leva à busca de novas formas terapêuticas, uma vez que os tratamentos atuais acarretam significativos efeitos colaterais nas pacientes.

As novas terapias envolvendo sistemas nanoestruturados aplicados ao tratamento do câncer vêm evoluindo rapidamente e estão sendo implementados como técnicas alternativas a fim de resolver limitações das estratégias terapêuticas convencionais. Diferentes sistemas nanoestruturados demonstram vantagens sobre outros sistemas de veiculação devido à sua estrutura em escala nanométrica com propriedades singulares, e suas aplicações podem se estender desde a entrega de fármacos até procedimentos clínicos, envolvendo fotoprocessos e nanotecnologia, tais como a terapia fotodinâmica.

Portanto, o objetivo do presente trabalho foi sintetizar e caracterizar nanoemulsões como sistemas de veiculação de agente fotossensível (ftalocianina de cloro-alumínio) e quimioterápico (doxorrubicina) e investigar sua ação em linhagem celular de câncer de mama murino (4T1). A fim de caracterizar devidamente as nanoemulsões, foi avaliado o tamanho, índice de polidispersão, carga, morfologia e estabilidade. As nanoemulsões apresentaram um diâmetro médio de 175 nm, baixa polidispersividade (0,2 a 0,28 de índice de polidispersão) e potencial zeta negativo (em torno de -70 mV).

A análise morfológica foi realizada por meio de microscopia de força atômica, pela qual se comprovou o formato esférico das nanoemulsões. Além disso, as nanoemulsões exibiram estabilidade física ao longo de um período de três meses, que foi comprovada pelos estudos de estabilidade acelerada. Em seguida, para assegurar a biocompatibilidade e a eficiência na captação intracelular, a interação destas nanoemulsões com as células foi averiguada por meio de microscopia confocal e ensaios de viabilidade, ciclo celular e morte celular. A partir daí, foram selecionadas concentrações ideais dos ativos e, foi utilizado um laser indutor na região de máxima absorção do ativo fotossensível para a terapia fotodinâmica contra as células de câncer, combinado ou não ao agente quimioterápico.

Os estudos de toxicidade na ausência de luz demonstraram o caráter biocompatível de todas as nanoemulsões desenvolvidas. Sob irradiação de luz visível em uma dose máxima de 1000 mJ.cm-2, o efeito fototóxico provocado pelas nanoemulsões contendo ftalocianina de cloro-alumínio (1,0 µM) associada à doxorrubicina (0,5 µM) reduziu a viabilidade celular a menos de 10%. Os ensaios de morte e ciclo celular demonstraram a eficiência da terapia fotodinâmica pelo aumento da quantidade de células em apoptose e parada do ciclo celular em G2. O fármaco fotossensível permaneceu na região citoplasmática e o agente quimioterápico no núcleo das células após a administração comprovada por meio dos estudos de microscopia confocal. Adicionalmente, genes relacionados à apoptose e genes-alvo para drogas foram encontrados diferencialmente expressos após a proposta terapêutica.

Os resultados obtidos neste trabalho indicam, dessa forma, que as nanoemulsões apresentam-se como potenciais sistemas de administração do fármaco fotossensibilizador hidrofóbico associado ao fármaco anti-câncer para o tratamento de câncer de mama pelo uso de baixas concentrações dos ativos e de baixa dose de luz visível. Isto levou a respostas biológicas muito promissoras, visando à melhoria das abordagens terapêuticas atuais e o entendimento dos mecanismos celulares e sistêmicos destas nanoemulsões recém-sintetizadas e potencialmente comerciais.

Comissão Examinadora

  • Prof.(a). Paula Rahal – Orientadora – Unesp/São José do Rio Preto
  • Prof.(a). Aparecida Maria Fontes – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
  • Prof.(a). Andreia Machado Leopoldino – Universidade de São Paulo
  • Prof.(a). Patrícia Simone Leite Vilamaior – Unesp/São José do Rio Preto
  • Prof.(a). Silvana Gisele Pegorin de Campos – Unesp/São José do Rio Preto

Fonte: Unesp


 

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