Estudo de caso de família portuguesa e brasileira usa genética dos pais para estimar QI de um primo sem teste psicológico | Newslab

Estudo de caso de família portuguesa e brasileira usa genética dos pais para estimar QI de um primo sem teste psicológico

Estudo publicado na International Journal of Health Science (ISSN 2764-0159), da Atena Editora, assinado por investigadores do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH)

Quanto da inteligência de uma pessoa pode ser estimado apenas a partir do perfil genético dos seus pais e de um familiar próximo, sem que essa pessoa nunca tenha feito um teste de QI? Foi esta a questão que motivou um estudo de caso publicado por investigadores do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), com atividade em Portugal e no Brasil, na International Journal of Health Science (ISSN 2764-0159), da Atena Editora, uma das maiores editoras académicas do Brasil em volume de publicações.

O estudo parte de uma situação familiar real. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, Pós-Doutor em Neurociências e Especialista em Genómica, tem um QI de 160 medido pela Escala Wechsler, com registos validados no Brasil e em Portugal. O seu primo duplo, Fábio de Abreu Rodrigues, nunca fez uma avaliação psicométrica formal, mas tem um histórico de aprovação em concursos públicos altamente competitivos no Brasil, sempre entre os melhores classificados, o que levou a equipa a perguntar: será possível estimar, de forma responsável, uma faixa de QI provável para Fábio, usando apenas dados genómicos dos pais de ambos e o coeficiente de parentesco entre os dois primos?

Primos duplos resultam do cruzamento paralelo entre dois pares de irmãos, neste caso os pais de Fabiano, por um lado, e os pais de Fábio, irmãos biológicos dos primeiros, por outro. Isto faz com que os dois primos partilhem os mesmos quatro avós biológicos e tenham um coeficiente de parentesco genético, ou identidade por descendência, de 0,25, o dobro do valor de primos comuns, e equivalente ao de meios-irmãos.

Usando os valores de QI genético calculados pela plataforma GIP (Genetic Intelligence Project), criada pelo próprio CPAH, para os pais de Fabiano, a equipa calculou um valor médio parental de 130 pontos. Aplicando a equação de regressão estatística padrão da genética quantitativa, com o QI de 160 de Fabiano como referência, o resultado aponta para uma estimativa teórica de 137,5 pontos para Fábio, antes de qualquer ajuste adicional, um valor já dentro da faixa associada a sobredotação.

“É importante deixar claro que isto não é, nem pretende ser, um substituto para um teste de QI. É um exercício exploratório, com limites bem definidos, que mostra como a genética quantitativa pode complementar a avaliação clínica em casos onde não há acesso a uma bateria psicométrica completa. O percurso profissional de Fábio, com aprovações consistentes em concursos extremamente exigentes, é coerente com esta estimativa, mas não a confirma”, explica Fabiano de Abreu.

O estudo discute ainda a hipótese, levantada pela geneticista Susana Massarani durante a avaliação neurogenómica do próprio Fabiano, de que o seu perfil cognitivo extremo possa refletir uma concentração de variantes genéticas favoráveis em homozigotia, herdadas de pais heterozigóticos para essas mesmas variantes. Para Fábio, os autores descrevem três cenários possíveis de recombinação genética, que vão desde uma estimativa entre 130 e 137 pontos até valores que podem superar os 145 pontos, sempre dentro da faixa de sobredotação.

O artigo foi assinado também por Luiz Felipe Chaves Carvalho, Cirurgião Ortopédico e Traumatologista, Especialista em Cirurgia da Coluna e Mestre em Neurociências, certificado pela American Academy of Regenerative Medicine; por Flávio Henrique dos Santos Nascimento, Médico Psiquiatra e Especialista em Neurociências; e por Mirian Coden, Doutora em Educação, do Nortus Scientific Center.

O CPAH é um centro de pesquisa sem fins lucrativos, com investigadores em Portugal e no Brasil, sustentado por parceiros e investimento próprio, e a plataforma GIP nasceu dentro deste centro para produzir relatórios de predisposição genética individual.