3º Congresso de Saúde Suplementar aborda o papel das empresas e pagadores

No dia 4 de dezembro a cidade do Rio de Janeiro receberá a terceira edição do Congresso de Saúde Suplementar. O evento, que é promovido pela TM Jobs e pelo Business Club Healthcare, falará sobre “A Saúde Suplementar do Futuro – Saúde Corporativa e impacto econômico e sustentável”.

Dentre os diversos temas que serão abordados ao longo do dia, a palestra “O papel das empresas e pagadores – Saúde Corporativa – Promoção e Prevenção” será debatido por Ricardo Gruba, membro do grupo Técnico da Saúde Suplementar da CNI; e Welmer Carneiro, superintendente executivo de Saúde Operacional da área de Capital Humano da TV Globo.

Confira, abaixo, entrevista completa sobre o tema a ser abordado e clique AQUI para conferir a programação completa.


Os contratantes de saúde tem pouca abertura para implantar saúde corporativa e gestão de saúde populacional ?

Ricardo Gruba – A articulação entre saúde assistencial e ocupacional é uma excelente oportunidade para oferecer um modelo de atenção integral ao trabalhador. As equipes de saúde ocupacional têm acesso diário ao trabalhador e pelo menos uma consulta anual garantida. Seu papel é fundamental na integração de dados relevantes para gestão populacional e integral da saúde dos trabalhadores e na orientação destes para uso adequado do sistema de saúde. Além disso, a saúde ocupacional tem condições de contribuir no melhor desenho do programa corporativo de saúde do trabalhador, que inclui não apenas intervenções ocupacionais, mas intervenções de promoção de saúde e prevenção de doenças e incapacidades. Essas intervenções, quando não há articulação entre os sistemas, são concorrentes ou sombreadas. Com o envolvimento da saúde ocupacional, é possível desenhar intervenções complementares no ambiente de trabalho que atendam a saúde do trabalhador e que preencha lacunas que não são cobertas pelos planos de saúde. Entretanto, os dois sistemas, tradicionalmente, funcionam dissociados e seus profissionais são formados para agir de forma fragmentada. A quebra do paradigma de integração precisa ocorrer dos dois lados.

Welmer Carneiro – Não diria que dá pouca abertura, mas sim pouca integração e pouca busca por informações que possam realmente contribuir para uma questão analítica mais profunda, cirúrgica, para haver um diagnóstico das circunstâncias que cercam a relação, e assim ter um plano de estratégia de ação para mitigar custos e também diagnosticar o quanto a empresa pode ser produtiva. Desta forma, a empresa deve contribuir com ações para prevenir saúde, não apenas tratar as doenças já disseminadas. Olhar estrategicamente para evitar as causas que levam a essas consequências. Uma busca, integração e participação efetivas para atender a saúde da empresa. Entender a empresa a fundo, como é sua saúde (colaboradores) e não a doença.

O que espera da terceira edição do Congresso de Saúde Suplementar?

Ricardo Gruba – O congresso abre um espaço para diálogo com os contratantes de plano de saúde. Nossa intenção é fortalecer o diálogo, ouvir e sermos ouvidos. E, dessa forma, criar sinergia entre os atores, superar o modelo de relacionamento calcado na desconfiança. Queremos sair das relações estritamente comerciais entre contratantes e fornecedores para conquistar relações de parceria em torno de objetivos comuns. Percebemos que o setor está se abrindo ao diálogo.

Welmer Carneiro – Espero que seja um congresso onde essas reflexões venham à tona de forma muito madura, que quem esteja ouvindo e dando opiniões possa ir sem apenas querer se defender. Estamos querendo encontrar soluções e por isso essa conversa olho no olho será importante para enxergar e diagnosticar os problemas reais das empresas para ir atrás das soluções. Uma visão mais sincera, objetiva, sem que haja melindres e sentimentos de culpabilidade. Ali será a hora de dialogar com pessoas que querem o bem dos outros e não ir atrás apenas do benefício financeiro. Pensar em todas as vertentes que levam a um futuro onde o colaborador/paciente é o centro das atenções, pois assim ele terá mais presença no trabalho e produzirá mais.

Quais serão as principais abordagens de vocês durante a apresentação?

Ricardo Gruba – Estamos em uma fase de entender e de construir modelos para atuação em parceria com os diferentes atores do sistema de saúde suplementar. Por isso vamos apresentar nossa agenda de prioridades e deixar claro que o sistema atual precisa mudar e migrarmos, com brevidade, para remuneração do mercado de saúde baseada em valor.

Welmer Carneiro – Procurar chamar atenção para que as empresa que já possuem nelas uma medicina do trabalho, que é uma vigência por lei (normativo), mas ainda está se olhando para o lado regulatório da saúde ocupacional em vez de focarem-se em um lado estratégico que ela poderia mirar. Se a saúde do funcionário não está boa, a empresa não vai bem. Os médicos existem nas empresas e já existe uma solução na mão das mesmas, com um diamante bruto, que pode ser visto como uma estratégia e não só como um cumpridor de normativas legais. A saúde ocupacional não pode ser só um carimbador de documentos.

Gruba, poderia nos contar sobre sua experiência dentro do grupo técnico de Saúde Suplementar da CNI? Quais são os principais temas que vocês vêm debatendo?

Ricardo Gruba – Nossa primeira ação foi mapear o cenário. Entender os motivos da atual insustentabilidade do sistema. As informações da saúde suplementar são geradas, em geral, pelas operadoras de saúde e pelos prestadores de serviços. Por isso, construímos um primeiro posicionamento detalhando a situação, comparando com outros países, identificando pontos de atuação. Produzimos também um estudo independente para compreender o impacto orçamentário das novas tecnologias no aumento sistemático e elevado dos custos da saúde.

Agora estamos discutindo possibilidades de melhorar a disponibilização de informações para contratantes e usuários; a integração desses dados com a saúde ocupacional; o papel da atenção primária na coordenação da saúde e no uso adequado do sistema e os modelos de remuneração baseados em valor.

Pretende falar sobre um estudo recente que a CNI apresentou sobre o impacto das tecnologias da saúde na sustentabilidade do sistema?

Ricardo Gruba – Esse estudo representou o primeiro dentre muitos estudos que o GTSS pretende produzir. A geração de informações independentes, pelos contratantes, é imprescindível para estimular o debate e promover o diálogo. Com assimetria de informações não há diálogo possível. O estudo demonstrou o impacto das novas tecnologias e nos deu subsídios para dialogar com prestadores e operadoras sobre a performance e os índices de ajustes de preços.

E dentro da TV Globo, Carneiro? Quais os principais desafios e o que vocês vêm sentindo de mudanças?

Welmer Carneiro – A empresa ainda tinha a visão como forma regulatória, mas de três anos para cá, quando passei a trabalhar lá, fizemos algumas mudanças estruturais. Implantamos um consultório médico padrão com qualidade, com a consultas mais prolongadas e protocolo médico de avaliação. Lá eu consigo medir o quanto as pessoas estão pesando, seu índice de massa corpórea (IMC) o quanto elas têm de gordura visceral e detectamos doenças crônicas para podermos dar orientações individualmente e, também, criar ações coletivas.

O que vocês acham ser imprescindível para melhorarmos os processos no momento?

Ricardo Gruba – Consumidores e usuários de serviços estão cada vez mais ativos nos diferentes segmentos produtivos. Na saúde não é diferente. Contratantes e usuários requerem uma relação de parceria onde possam ser mais participativos no acesso e uso de informações e nas decisões e escolhas que afetam suas vidas. Nesse sentido, transparência e disponibilização de dados são fundamentais.

Welmer Carneiro – Temos que sentar à mesa, criarmos o hábito de realizar reuniões periódicas dentro das empresas onde participam todos os departamentos que lidam com o tema como o RH, saúde ocupacional, segurança do trabalho, jurídico, corretoras de saúde. É preciso, além das reuniões, de uma boa melhoria nos processos, identificação de produtividade para termos uma boa saúde do colaborador e a boa saúde da empresa para que, assim, ela não seja desfalcada e possa manter a competitividade.


Fonte: Business Club Healthcare

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