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10 anos sem raiva humana transmitida por cães: como a evolução das vacinas mudou o controle da doença no Brasil

Mesmo sem registros de casos da doença, a vacinação continua sendo o método mais eficaz para a saúde pública

10 anos sem raiva humana transmitida por cães: como a evolução das vacinas mudou o controle da doença no Brasil 

Em 2026, o Brasil completa dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida pelas variantes do vírus associadas a cães. O resultado está relacionado a estratégias como a vacinação de cães e gatos, a vigilância epidemiológica e a profilaxia pós-exposição. A doença, porém, não foi eliminada do país: atualmente, os ciclos silvestres, especialmente aqueles relacionados a morcegos, representam um importante desafio para a vigilância.

A própria história da vacina ajuda a explicar essa transformação. A primeira vacinação contra a raiva foi realizada por Louis Pasteur, em 1885. Desde então, os imunizantes passaram por uma grande evolução tecnológica: das antigas formulações produzidas em tecido nervoso animal às atuais vacinas de cultivo celular, produzidas com vírus inativados e com maior segurança.

Da vacina de Pasteur às vacinas modernas  

As primeiras vacinas antirrábicas utilizavam tecidos nervosos de animais infectados. Posteriormente, formulações como a Fuenzalida & Palacios foram produzidas em tecido cerebral de camundongos recém-nascidos. Apesar da importância histórica, essas vacinas apresentavam maior risco de eventos adversos neurológicos.

Hoje, as vacinas de uso humano são produzidas em sistemas de cultivo celular, como células Vero ou células diploides humanas. O processo permite obter imunizantes mais seguros e com elevada capacidade de induzir resposta imunológica.

A raiva também apresenta uma particularidade: a prevenção pode ser realizada mesmo depois de uma exposição de risco. Após mordidas ou arranhões de animais potencialmente infectados, a conduta pode envolver lavagem da ferida, vacinação e, quando indicada, imunoglobulina antirrábica.

Um novo desafio epidemiológico   

Com o controle da transmissão pelas variantes associadas a cães, o cenário brasileiro passou a exigir atenção crescente aos ciclos silvestres. Morcegos têm papel importante na manutenção e transmissão do vírus, tornando a vigilância de animais e a orientação da população fundamentais para prevenir novos casos.

Para determinadas populações de animais silvestres, também existem estratégias de vacinação oral por meio de iscas, que permitem imunizar animais sem a necessidade de captura.

A trajetória da raiva é, assim, um exemplo da abordagem de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Raiva. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em:https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva. Acesso em: 10 set. 2026.

BRITTO, Fabiana Maria Andrade. Comparação da resposta imune humoral segundo via de aplicação da vacina antirrábica na profilaxia de pré-exposição da raiva humana. 2019. 66 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2019. Disponível em:https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/27490. Acesso em: 21 set. 2026.

KUIBIDA, Karin Virginía. A evolução das vacinas anti-rábicas na medicina veterinária. Diagno Vet, 25 abr. 2018. FAQ. Disponível em: https://www.diagno.vet.br/faq-items/a-evolucao-das-vacinas-anti-rabicas-na-medicina-veterinaria/. Acesso em: 21 set. 2026.

INSTITUTO BUTANTAN. Vacina raiva (inativada): pó liofilizado para suspensão injetável. São Paulo: Instituto Butantan, [2022]. Bula de remédio. Disponível em: https://butantan.gov.br/assets/arquivos/soros-e-vacinas/Vacina%20raiva_bula_1660766616309.pdf. Acesso em: 21 set. 2026.