O câncer de esôfago tem apresentado aumento expressivo na incidência e uma alta taxa de mortalidade no Brasil nos últimos anos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), com a divulgação das estimativas para o triênio 2026-2028, mostra que a projeção anual da doença passou de 8.200 novos casos no triênio anterior para 11.390 novos casos, uma variação de 38,9%. Levantamento feito na base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, indica que o país registrou 8.677 mortes em 2024, sendo 6.830 entre homens e 1.847 entre mulheres, cenário associado à maior exposição masculina a fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool.
Nesse cenário, a radioterapia se mantém como um dos pilares do tratamento multimodal. Durante o Abril Azul Claro, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de esôfago, especialistas reforçam que a modalidade tem papel que vai desde o controle de sintomas até estratégias com intenção curativa. “A radioterapia permanece como componente fundamental dentro da abordagem terapêutica do câncer de esôfago. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando localização do tumor, estadiamento e condições clínicas do paciente”, afirma o radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT.
A possibilidade de cura com radioterapia é especialmente relevante em tumores diagnosticados em fases iniciais e em casos localmente avançados. Nesses cenários, o tratamento pode ser utilizado de forma isolada ou combinado à quimioterapia e à cirurgia. A radioquimioterapia, por exemplo, é frequentemente empregada como estratégia principal quando a cirurgia não é viável, seja pela localização do tumor, seja pelas condições clínicas do paciente. “Em determinadas situações, é possível alcançar resposta completa, possibilitando um tratamento mais conservador sem a ressecção cirúrgica”, explica o especialista.
Além do potencial curativo, a radioterapia também tem papel importante no tratamento neoadjuvante, quando é realizada antes da cirurgia para reduzir o tumor e aumentar as chances de ressecção completa. Em estágios mais avançados ou metastáticos, a indicação passa a ser paliativa, contribuindo para o alívio de sintomas como dor e dificuldade para engolir, um dos principais impactos da doença na qualidade de vida.
Os dois principais subtipos do câncer de esôfago são o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma, que apresentam diferenças importantes em fatores de risco e comportamento clínico. O carcinoma epidermoide é responsável por cerca de 96% dos casos no Brasil, segundo o INCA, e está fortemente associado ao tabagismo e ao consumo de álcool. Já o adenocarcinoma tem relação com obesidade, refluxo gastroesofágico crônico e esôfago de Barrett. Essa distinção é determinante para a escolha terapêutica e para o prognóstico.
Apesar dos avanços, o diagnóstico precoce ainda é um desafio. Em fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Quando presentes, sintomas como dificuldade para engolir, perda de peso, dor no peito e azia persistente devem ser investigados. A identificação precoce amplia significativamente as chances de tratamento curativo e reforça a importância das campanhas de conscientização, como o Abril Azul Claro.
Sintomas e fatores de risco
A SBRT alerta que o câncer de esôfago em fase inicial geralmente não causa sinais ou sintomas. Porém, nas ocorrências destes sinais, é recomendado consultar um médico.
– Dificuldade em engolir (disfagia)
– Perda de peso sem causa definida
– Dor no peito ou queimação
– Piora da digestão ou azia
– Tosse ou rouquidão
Principais fatores de risco para o câncer de esôfago:
– Tabagismo
– Consumo de bebidas alcoólicas
– Consumo excessivo de bebidas em altas temperaturas
– Refluxo gastroesofágico crônico
– Esôfago de Barrett
– Obesidade
– Dieta pobre em frutas e vegetais
– Consumo frequente de alimentos muito quentes
– Baixo consumo de fibras
– Envelhecimento