Por dentro do laboratório do Centro Infantil Boldrini | Newslab 148

O hospital filantrópico é referência na área de oncologia e hematologia pediátrica no Brasil

No Laboratório em Destaque dessa edição, vamos conhecer um pouco mais sobre o trabalho realizado pelo Centro Infantil Boldrini, um dos hospitais referência na área de oncologia e hematologia pediátrica no Brasil.

Fundado em 1978 em Campinas, o Centro Infantil Boldrini, além de cumprir sua missão principal, o diagnóstico e tratamento, assumiu um papel importante em programas de educação e capacitação de médicos e outros profissionais de saúde.

Anualmente, a instituição recebe aproximadamente 900 novos casos de crianças e adultos jovens (até 29 anos) com suspeita ou diagnóstico de câncer ou doença sanguínea. Vale lembrar que, no Boldrini, não há lista de espera ou repressão da demanda. Todos os pacientes, 80% deles oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS), recebem o tratamento, que dura em média dois anos.

Diante disso, dentre os setores mais importantes do hospital, está o laboratório de diagnósticos e análises clínicas. Para saber mais sobre o setor, conversamos com o Dr. André Yunes*, pesquisador do Centro Infantil Boldrini.

Qual o número de exames diários realizado pelo laboratório?

Os exames do laboratório de biologia molecular demoram vários dias. Em média, fazemos 624 exames por mês.

Quais os tipos de exames que o laboratório realiza?

Segue abaixo os exames que realizamos:

  1. Polimorfismos genéticos relacionados à toxicidade ao metotrexato
  • MTHFR C677T – rs1801133
  • MTHFR A1298C – rs1801131
  • SLCO1B1 rs11045879
  • SLCO1B1 rs4149081
  1. Polimorfismos genéticos relacionados à toxicidade a 6MP/6TG
  • TPMT G238C rs1800462 TPMT*2 (G238C; Ala80→Pro)
  • TPMT G460A rs1800460 TPMT*3B (G460A; Αla154→Τhr)
  • TPMT A719G rs1142345 TPMT*3C (A719G; Tyr240→Cys)
  • TPMT*3 A (G460A and A719G; Ala154→Τhr and Tyr240→Cys)
  • NUDT15 rs116855232
  1. Polimorfismos genéticos relacionados à toxicidade à Vincristina
  • CEP72 rs924607
  1. Análise de translocações cromossômicas
  • t(9;22) p190
  • t(9;22) p210
  • t(4;11)
  • t(6;11)
  • t(10;11)
  • dupMLL
  • t(11;19)(q23;p13.1)
  • t(11;19)(q23;p13.3)
  • t(12;21)
  • t(1;19)
  • t(9;9)(q34;q34)/(NUP214-ABL1)
  • t(15;17)
  • t(8;21)
  • Inv(16)
  • t(1;13)
  • t(2;13)
  • t(11;22)
  • t(21;22)
  • t(2;5)

  1. Mutações /CNVs de relevância oncológica
  • IKZF1
  • Jak1 (exons 13 e 14)
  • Jak2 (exons 16, 20 e 21)
  • CRLF2 (PAR1del, P2RY8-CRLF2 fusion)
  • PTEN
  • IL7R
  • Notch1
  • TP53
  • FLT3-ITD
  • FLT3-D835
  • BCR/ABL1 (mutações de resistência ao imatinib)
  • GATA1
  1. Análise da Doença Residual Mínima (DRM) por PCR quantitativo
  • DRM baseada em rearranjo IgH
  • DRM baseada em rearranjo IgK
  • DRM baseada em rearranjo TCR-gama
  • DRM baseada em rearranjo TCR-delta
  • DRM baseada em rearranjo SIL/TAL1
  1. Congelamento de amostras
  • Congelamento de amostras de células do sangue e plasma em biobanco

Conte-nos um pouco da história do laboratório.

O laboratório de biologia molecular foi inaugurado em 1998. Atualmente conta com 5 doutores em genética e duas técnicas de nível superior. Ocupa uma área de pouco mais de 100 m2.

Quais as principais pesquisas já realizadas pelo departamento?

Alunos de graduação e pós-graduação fazem pesquisa no Laboratório de Biologia Molecular. Desde sua fundação já se formaram 14 alunos de iniciação científica, 12 mestres e 19 doutores. Quatro doutores desenvolveram seus pós-doutoramentos. Vinte e cinco projetos com financiamento externo foram desenvolvidos (FAPESP, CNPq, CAPES, PRONON/Ministério da Saúde, Instituto Ronald McDonald, Fundação Banco do Brasil, Fundação Motorola, Bradesco), dos quais resultaram mais de 80 publicações em revistas internacionais e 3 pedidos de patente (um dos pedidos já concedido na Europa e Rússia).

PCR, PCR quantitativo, Sequenciamento de DNA Sanger, Sequenciamento de DNA em paralelo.

Quais os desafios enfrentados pelo departamento?

Acompanhar o rápido desenvolvimento da área de oncogenômica, de modo a incorporar rapidamente os avanços diagnósticos.

Como vocês visualizam a área diagnóstica daqui a 10 anos?

A tendência é o aumento dos marcadores genéticos para auxilio diagnóstico e acompanhamento dos pacientes. O desafio será a interpretação e utilização dos dados genômicos.


* Dr. Andrés Yunes – Graduou-se em Agronomia em 1988, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), defendeu seu doutorado na Unicamp em 1997, com o estudo da especificidade de ligação ao DNA de um fator da transcrição. No final de 1997 foi contratado como pesquisador do Centro Infantil Boldrini (Campinas, SP), hospital filantrópico especializado em oncologia e hematologia pediátrica, onde iniciou o laboratório de biologia molecular para a realização de exames genéticos nas leucemias agudas da criança.

Entre 2001 e 2003 realizou pós-doutorado no Dana-Farber Cancer Institute, Hospital afiliado ao Harvard Medical School, em Boston, EUA.

É Professor Colaborador do Departamento de Genética da Faculdade de Ciências Médicas e do Instituto de Biologia da Unicamp. Pesquisador 1D do CNPq, desenvolve pesquisa na área de genética e biologia molecular da leucemia, como foco nos mecanismos de resistência à quimioterapia e a descoberta de novos alvos terapêuticos.

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