Hipertensão arterial: prevenção e controle seguem como desafios | Newslab

Hipertensão arterial: prevenção, diagnóstico e controle seguem como desafios centrais para a saúde pública

Data nacional lembrada em 26 de abril reforça a importância da aferição regular da pressão arterial, da adesão ao tratamento e do controle de fatores de risco cardiovasculares

O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, lembrado em 26 de abril, chama atenção para uma das condições crônicas mais prevalentes, silenciosas e relevantes para a saúde pública. Instituída pela Lei nº 10.439/2002, a data tem como objetivo estimular ações educativas voltadas ao diagnóstico preventivo, ao tratamento adequado e à prevenção das doenças cardiovasculares associadas à pressão alta.

A hipertensão arterial é caracterizada pela elevação persistente da pressão nos vasos sanguíneos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024, o equivalente a cerca de um terço da população mundial nessa faixa etária. O dado mais preocupante é que aproximadamente 600 milhões de pessoas com hipertensão desconheciam a própria condição.

No Brasil, o cenário também exige atenção contínua. Dados do Vigitel 2023, divulgados pelo Ministério da Saúde, indicam que a hipertensão arterial atinge cerca de 27,9% da população adulta brasileira. A prevalência informada foi maior entre mulheres, 29,3%, do que entre homens, 26,4%, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

A condição é frequentemente chamada de silenciosa porque pode evoluir sem sintomas perceptíveis por anos. Esse comportamento clínico reforça a importância da aferição regular da pressão arterial, especialmente em pessoas com histórico familiar, excesso de peso, diabetes, doença renal crônica, alimentação rica em sódio, sedentarismo, consumo abusivo de álcool ou idade avançada.

A relevância da hipertensão vai além do número medido no aparelho. Quando não diagnosticada ou mal controlada, ela aumenta o risco de acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e outras complicações vasculares. Para a OMS, ampliar a detecção, o tratamento e o controle da hipertensão, especialmente na atenção primária, é uma das estratégias essenciais para reduzir mortes evitáveis por doenças cardiovasculares.

Estudo publicado no The Lancet, com dados de 1990 a 2019 reunidos pela NCD Risk Factor Collaboration, mostrou que o número de adultos de 30 a 79 anos com hipertensão dobrou no período analisado, passando de 331 milhões para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. O trabalho reforça que, embora a hipertensão seja detectável e tratável, lacunas no diagnóstico, no tratamento e no controle permanecem como obstáculos globais.

As diretrizes internacionais mais recentes também destacam a necessidade de medidas precisas e padronizadas da pressão arterial. As recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2024 reforçam o papel da aferição correta, da confirmação diagnóstica e do acompanhamento fora do consultório, quando indicado, para reduzir erros de classificação e melhorar a condução clínica.

A prevenção envolve medidas conhecidas, mas ainda pouco sustentadas na rotina da população. Entre elas estão redução do consumo de sal, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool, sono adequado e acompanhamento periódico com profissionais de saúde. Em pacientes já diagnosticados, a adesão ao tratamento medicamentoso e o seguimento clínico são decisivos para reduzir riscos.

Para os serviços de saúde, o desafio está em transformar a data em uma ação permanente. A hipertensão arterial exige rastreamento ativo, educação em saúde, acesso a medicamentos, acompanhamento multiprofissional e uso de equipamentos validados para aferição. A combinação entre diagnóstico oportuno e controle contínuo pode reduzir complicações graves e aliviar a carga assistencial sobre o sistema de saúde.

O 26 de abril reforça uma mensagem objetiva: medir a pressão arterial regularmente, reconhecer fatores de risco e manter o tratamento adequado são medidas simples, baseadas em evidências, com impacto direto na prevenção de eventos cardiovasculares.