Coluna – Dr. Fabiano de Abreu
Dor de cabeça, dor de barriga, dor nas costas, quem nunca sentiu dor que atire a primeira pedra, o que a princípio pode parecer uma sensação negativa que poderia ser abolida do hall de sensações do corpo humano, na verdade é um dos sistemas mais importantes para nossa subsistência.
A dor funciona como um alerta, um alarme que indica que algo está errado, que há ameaças à sua integridade física, ajudando a evitar maiores lesões ou a detectar doenças em estágios iniciais.
Meu interesse por esse assunto me levou a colaborar com o ortopedista e traumatologista, Dr. Luiz Felipe Chaves na criação do artigo “Ativação do sistema neuro-imuno-endócrino para tratamento da dor”, publicado pela editora Atena e que tem como objetivo estudar como o corpo produz e interpreta os sinais de dor.
Um primeiro aspecto importante da dor analisado pelo estudo é a sua natureza, a dor não é uma doença e sim um sintoma comum a várias doenças, ela não vem no “pacote” de sintomas da patologia, ela é um processo produzido pelo próprio organismo como resposta a traumas ou doenças potencialmente perigosas.
Esse sinal de alerta é produzido pelos três principais sistemas do corpo humano, o sistema nervoso, o imunológico, e o endócrino, eles trabalham em sintonia para que esse processo ocorra.
Sistema Imunológico:
Responsável por defender o organismo de agentes patógenos, é a primeira barreira de defesa do organismo e ajuda a identificar a permanência da doença e gerar reações no corpo.
Sistema endócrino:
Produz os hormônios e é o responsável pelas reações químicas do corpo, reações essas que podem estar intimamente ligadas à dor.
Sistema nervoso:
Capta informações e estímulos externos, é formado por nervos e órgãos sensíveis ao ambiente e também coordena movimentos involuntários, como contração muscular em casos de dor.
A dor é um mal necessário, uma sensação ruim de ser sentida, mas essencial para nossa sobrevivência, alertando o corpo sobre danos teciduais reais ou iminentes.
No entanto, ela também pode ser danosa para o organismo quando ocorre frequentemente e de forma intensa, sendo classificada como dor crônica, nesses casos é necessário recorrer a técnicas que bloqueiam os sinais de dor.
Por isso, é importante que os estudos sobre a dor sejam mais frequentes, pois apesar de tudo que se sabe sobre esse processo, ainda há muitas informações que necessitam de aprofundamento e entender em especial o funcionamento dos sistemas imune, endócrino e nervoso em relação à dor é um grande passo para isso.