Asma: controle e tratamento inalatório | Newslab

Dia Mundial de Combate à Asma reforça a importância do diagnóstico, do controle clínico e do acesso ao tratamento inalatório

Data chama atenção para uma doença respiratória crônica comum, controlável, mas ainda associada a subdiagnóstico, internações e mortes evitáveis.

Celebrado em 5 de maio de 2026, o Dia Mundial de Combate à Asma chama atenção para uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma atingiu cerca de 363 milhões de pessoas em 2023 e esteve associada a 442 mil mortes no mesmo ano. A maior parte desses óbitos ocorre em países de baixa e média renda, onde o subdiagnóstico, o tratamento insuficiente e as desigualdades no acesso ao cuidado ainda comprometem o controle da doença.

A Global Initiative for Asthma, GINA, referência internacional em manejo da doença, marcou o Dia Mundial da Asma de 2026 com a mensagem “Access to anti-inflammatory inhalers for everyone with asthma, still an urgent need”, reforçando que o acesso a medicamentos inalatórios anti-inflamatórios permanece uma necessidade clínica e de saúde pública.

A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, hiperresponsividade brônquica e limitação variável ao fluxo expiratório. Tosse, chiado, falta de ar e sensação de aperto no peito são manifestações frequentes, com piora típica à noite, nas primeiras horas da manhã, durante exercícios, infecções virais, exposição a alérgenos, mudanças climáticas, fumaça e poluentes.

No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma, publicado em 2026 no âmbito do SUS, reforça que o diagnóstico deve combinar avaliação clínica, exame físico e testes de função pulmonar sempre que possível. A confirmação objetiva da limitação variável ao fluxo aéreo, por espirometria, pico de fluxo expiratório ou testes de provocação brônquica, reduz erros diagnósticos e orienta melhor o tratamento.

O papel do laboratório e dos exames complementares ganha relevância sobretudo nos casos de difícil controle, suspeita de fenótipo tipo 2, asma alérgica ou necessidade de diferenciação clínica. A contagem de eosinófilos no sangue pode apoiar a investigação de inflamação tipo 2 em pacientes com sintomas típicos, embora valores baixos não excluam o diagnóstico. Testes de IgE específica ou teste cutâneo de puntura também podem auxiliar na avaliação de sensibilização alérgica, especialmente em crianças e pacientes com história sugestiva.

A diretriz brasileira também destaca que exames de imagem não fazem parte da rotina diagnóstica da asma, mas podem ser úteis quando há suspeita de comorbidades ou diagnósticos diferenciais. Em adultos com asma de difícil controle, radiografia e tomografia podem ser consideradas em contextos específicos, sempre associadas à avaliação clínica.

Apesar de controlável, a asma continua associada a perda de qualidade de vida, absenteísmo escolar e profissional, atendimentos de urgência e internações. O problema é agravado quando há uso excessivo de medicação de alívio, baixa adesão ao tratamento de manutenção, técnica inalatória inadequada ou ausência de acompanhamento regular.

A mensagem central do Dia Mundial de Combate à Asma é direta: reconhecer sintomas, confirmar o diagnóstico e garantir acesso ao tratamento adequado muda o curso da doença. Para pacientes, profissionais de saúde e sistemas de cuidado, o desafio permanece no diagnóstico oportuno, na educação sobre o uso correto dos inaladores, na avaliação periódica do controle clínico e na identificação de fatores ambientais, ocupacionais e sociais que agravam a condição.

Em uma doença comum, heterogênea e potencialmente grave, a combinação entre clínica bem conduzida, testes funcionais, apoio laboratorial e acesso terapêutico pode reduzir exacerbações, internações e mortes evitáveis. A asma exige vigilância contínua, não apenas em datas de conscientização, mas em toda a rotina assistencial.