As doenças ortopédicas e lesões musculoesqueléticas – que englobam lesões em ossos, menisco, cartilagens, ligamentos e tendões – são bastante dolorosas aos pacientes, algumas delas possuem poucos tratamentos realmente eficazes, todavia, os estudos envolvendo as células-tronco têm se mostrado promissores nesses casos.
Este ano, pesquisadores da RMIT University, na Austrália, utilizaram uma abordagem experimental inovadora que aplica ondas sonoras em células-tronco extraídas da medula óssea do paciente para estimular a sua transformação em células ósseas, usadas para reconstrução óssea do paciente de forma natural. Apesar da velocidade do procedimento, que utilizou dispositivos para atingir as células-tronco com ondas sonoras com frequências de cerca de 10MHz durante alguns dias para desencadear as mudanças, o processo envolve equipagens caras e extremamente exclusivas, o que prejudica a popularização do método atualmente, mas com altas possibilidades de desenvolvimento para o futuro, abrindo margem para a reconstrução de estruturas ósseas de forma simplificada em pacientes.
Estudos realizados por Masquelet e, posteriormente, por Henrich et al. apresentam perspectivas animadoras para o uso de células-tronco em traumas, defeitos e fraturas ósseas, um dos procedimentos mais desafiadores da cirurgia ortopédica, nos estudos foram utilizadas membranas com MSCs nos defeitos femorais, o que gerou aumentos significativos no fator de crescimento endotelial vascular, BMP-2, TGFβ nas membranas, levantando a possibilidade da utilização de BMDSCs – células tronco advindas da medula espinhal – no reparo de defeitos ósseos.
No Brasil, a aplicação de células-tronco para o tratamento de pacientes com osteonecrose gerada por anemia falciforme já é uma realidade, pesquisas sobre o assunto são realizadas pelo Hospital Universitário Professor Edgard Santos – HUPES/UFBA – já tendo atendido mais de 500 pacientes.
Na pesquisa, uma massa contendo células-tronco do próprio paciente são aplicadas na região onde há a osteonecrose em estados iniciais com 93% de sucesso na redução dos sintomas, causando alívio no paciente já nas primeiras 48 horas da realização do procedimento. A cirurgia advém do esforço conjunto do departamento de cirurgia ortopédica do HUPES com a Universidade de Paris XII e reduz a necessidade de esperar a osteonecrose avançar para colocar próteses e torna o tratamento menos invasivo.
Ambas as abordagens apontam para novas formas de utilização das células-tronco no tratamento de doenças ortopédicas, ajudando a reduzir os riscos de procedimentos cirúrgicos e acelerar a recuperação do paciente, o que revela um futuro animador para o uso desse método.

Dr. Luiz Felipe Carvalho é ortopedista especialista em coluna vertebral e medicina regenerativa. Já tratou grandes atletas como o tenista uruguaio Pablo Cuevas, o jogador de futebol Rodrigo Dourado e o Ferreirinha do Grêmio. Além do tenista Argentino naturalizado Uruguaio Pablo Cuevas que faz tratamento com célula tronco desde 2017 melhorando muito sua performance avançando no ranking desde então.
O Gaúcho possui um profundo conhecimento sobre os modernos procedimentos cirúrgicos da coluna vertebral e também trabalha com técnicas minimamente invasivas. É diplomado pela Academia Americana de Medicina Regenerativa (AABRM), e pelo grupo Latino Americano ORTHOREGEN. Atualmente está estruturando o serviço de Medicina Regenerativa no Blanc Hospital em São Paulo.