Anvisa aprova fruquintinibe para câncer colorretal | Newslab

Anvisa aprova fruquintinibe para câncer colorretal metastático previamente tratado

Registro do Fruzaqla cria uma nova opção no Brasil para adultos que já receberam quimioterapia e terapias direcionadas previstas na indicação aprovada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, em 31 de agosto de 2026, o registro do Fruzaqla, nome comercial do fruquintinibe, para o tratamento de adultos com câncer colorretal metastático previamente tratados. A decisão foi publicada na Resolução 3.416/2026 e acrescenta ao cenário brasileiro uma terapia oral direcionada à inibição da formação de vasos sanguíneos associados ao crescimento tumoral, segundo o comunicado oficial da Anvisa.

De acordo com a indicação divulgada pela Anvisa, o medicamento se destina a pacientes que receberam quimioterapia à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, além de terapia anti-VEGF. Para tumores com RAS selvagem, a indicação considera ainda o tratamento prévio com terapia anti-EGFR, quando clinicamente apropriado.

O registro ocorre diante de uma carga expressiva da doença no país. O Instituto Nacional de Câncer estima 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Esse número abrange os diferentes estágios da doença e não corresponde apenas aos casos metastáticos.

Ação seletiva sobre a angiogênese tumoral

O fruquintinibe é um inibidor oral dos receptores do fator de crescimento endotelial vascular VEGFR-1, VEGFR-2 e VEGFR-3. Esses receptores participam da angiogênese, processo de formação de novos vasos sanguíneos que pode sustentar o crescimento e a progressão tumoral.

Ao bloquear a sinalização mediada por VEGF nesses receptores, o medicamento reduz a proliferação de células endoteliais e a formação de estruturas vasculares. Seu mecanismo, portanto, está dirigido à angiogênese associada ao tumor.

Estudo internacional demonstrou ganho de sobrevida

Entre as principais evidências clínicas internacionais sobre o fruquintinibe está o FRESCO-2, estudo de fase 3 publicado em 2023 no periódico The Lancet. A pesquisa foi conduzida em 124 hospitais e centros oncológicos de 14 países, com 691 adultos com câncer colorretal metastático refratário e intensamente pré-tratado.

Os participantes haviam recebido terapias citotóxicas e direcionadas consideradas padrão para a doença. Também apresentavam progressão ou intolerância à trifluridina/tipiracil, ao regorafenibe ou a ambos. Eles foram distribuídos aleatoriamente, na proporção de dois para um, para receber fruquintinibe ou placebo, sempre associado ao melhor cuidado de suporte. O estudo teve desenho duplo-cego, foi controlado por placebo e recebeu financiamento da HUTCHMED.

A sobrevida global mediana, desfecho principal da pesquisa, foi de 7,4 meses no grupo tratado com fruquintinibe e de 4,8 meses no grupo placebo. A razão de risco para morte foi de 0,66, com intervalo de confiança de 95% entre 0,55 e 0,80 e valor de p inferior a 0,0001.

A sobrevida livre de progressão mediana alcançou 3,7 meses com fruquintinibe, ante 1,8 mês com placebo. Para progressão da doença ou morte, a razão de risco foi de 0,32, com intervalo de confiança de 95% entre 0,27 e 0,39 e valor de p inferior a 0,0001.

Os resultados se referem à população selecionada pelo protocolo do FRESCO-2. Por isso, devem ser interpretados dentro dos critérios de elegibilidade, do histórico terapêutico e das condições clínicas dos participantes avaliados.

Perfil de segurança exige acompanhamento

Eventos adversos de grau 3 ou superior ocorreram em 63% dos 456 participantes que efetivamente receberam fruquintinibe na população de segurança e em 50% dos 230 participantes tratados com placebo. No grupo do fruquintinibe, os eventos de grau 3 ou superior mais frequentes foram hipertensão, registrada em 14% dos pacientes, astenia, em 8%, e eritrodisestesia palmar-plantar, conhecida como síndrome mão-pé, em 6%.

O estudo registrou uma morte considerada relacionada ao tratamento em cada grupo. No braço do fruquintinibe, o evento foi uma perfuração intestinal. No grupo placebo, ocorreu uma parada cardíaca. Os dados reforçam a necessidade de seleção adequada dos pacientes, monitoramento e manejo dos eventos adversos durante o tratamento.

Histórico regulatório internacional

O fruquintinibe já havia recebido autorização em outros mercados. Em novembro de 2023, a Food and Drug Administration aprovou o medicamento nos Estados Unidos para adultos com câncer colorretal metastático previamente tratados. A análise norte-americana considerou os estudos FRESCO-2 e FRESCO, este último realizado na China com 416 participantes.

No Brasil, a aprovação anunciada pela Anvisa define a indicação registrada, mas o comunicado oficial consultado não apresenta informações sobre preço, início da comercialização ou eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde. Esses aspectos, portanto, não permitem conclusão a partir dos documentos disponíveis até o momento.

Referências consultadas

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa aprova novo medicamento para câncer colorretal metastático. Publicado em 31 de agosto de 2026.
  2. Dasari A. et al. Fruquintinib versus placebo in patients with refractory metastatic colorectal cancer, FRESCO-2. The Lancet. 2023;402(10395):41-53.
  3. Food and Drug Administration. FDA approves fruquintinib in refractory metastatic colorectal cancer. Publicado em 8 de novembro de 2023.
  4. Instituto Nacional de Câncer. Síntese de resultados e comentários, Estimativa 2026. Acesso em setembro de 2026.