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A saúde precisa quebrar os paradigmas para evoluir

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Por Iomani Engelmann*

Para alguns mercados, o crescente uso da tecnologia foi considerado o pesadelo das empresas já estabilizadas. Por outro lado, da perspectiva da área da saúde, o que ocorre é exatamente o oposto. Nos últimos anos, os desenvolvedores de soluções puderam apresentar a eficácia de suas tecnologias para as rotinas médicas, que aumentam a segurança dos pacientes e reduzem os custos em hospitais, centros de diagnósticos por imagem, policlínicas e laboratórios, sejam privados ou públicos.

A transformação digital na saúde vem de décadas, porém, no Brasil, ainda estamos muito distantes da realidade de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 90% dos hospitais já utilizam a tecnologia em todos os processos, enquanto no Brasil muitos ainda lutam contra o uso do prontuário eletrônico, solução que diminui o uso de papel e aumenta a segurança na assistência ao paciente.

Tudo isso ocorre porque os entraves políticos por aqui são maiores, não só por parte do governo como também das empresas envolvidas. Se fizermos um paralelo com o mercado financeiro, as – popularmente conhecidas – fintechs passaram, recentemente, a usar e abusar da mobilidade e da internet para implantar um novo método de fazer negócio. Hoje, existem bancos que não possuem agências físicas e, ainda assim, contam com a credibilidade da população. Nesse sentido, foram as próprias financeiras que investiram na mudança de mindset do mercado.

Ainda que muitas instituições e muitos profissionais de saúde estejam resistentes ao uso do prontuário eletrônico do paciente, o Brasil tem iniciativas para isso, com hospitais desejando processos de certificação que medem a maturidade e o nível da adoção tecnológica dentro da instituição, como o HIMSS. Na Colômbia, por exemplo, a interoperabilidade é tão importante quanto qualquer outro processo dentro das instituições de saúde. Poderia se economizar muito se avaliamos apenas os gastos com o excesso de exames nem sempre necessários.

Estudos da Gartner, empresa de consultoria, apresentam números que mostram que de 17% a 23% da receita de instituições de saúde são desperdiçados em exames desnecessários ou repetidos. Este estudo exemplifica que investimentos poderiam ser facilmente melhor direcionados com o uso da tecnologia e análise dos dados, impedindo, por exemplo, que uma pessoa faça o mesmo exame em clínicas ou laboratórios diferentes por mero preciosismo. Isso porque o paciente não tem consciência dos gastos que ele gera às instituições de saúde e aos convênios.

Outro ponto importante que envolve o uso de tecnologia e a saúde é a telemedicina, ou seja, utilizar aplicativos on-line para realização de consultas médicas. A área de psicologia, neste ano, regulamentou a solução para casos assistenciais, e foi um grande avanço. Da ótica dos pacientes, é preciso conquistar a confiança no método, pois os custos já reduzem quando comparado com a maneira tradicional.

Ainda nesse sentido, os próximos anos reservam a inteligência artificial no dia a dia da sociedade. Os sintomas e alterações que hoje procuramos em buscadores on-line, no futuro poderão ser apresentados em indicadores próprios para esse intuito, além da supervisão e o acompanhamento de médicos por meio de uma máquina.

Agora, analisando o mercado do ponto de vista comportamental, encontramos mais algumas limitações. De um lado temos profissionais jovens – médicos ou enfermeiros – que já entendem a tecnologia como aliada e se aborrecem com a quantidade de processos manuais. Enquanto do outro lado, percebemos que a maior parte dos usuários dos serviços de saúde, sejam públicos ou privados, são pessoas de outra geração e por isso ainda analógicas. Aqui nos deparamos com um desencontro de interesses.

A dúvida que paira sobre o ar é – o mercado de healthcare IT terá forças para lutar na quebra desses paradigmas? O fato é – será mais do que preciso e em pouco tempo!


*Iomani Engelmann é diretor comercial e de marketing da Pixeon

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