SOBRE A BIOTINA
Biotina, também conhecida como vitamina B7 ou Vitamina H, é uma vitamina hidrossolúvel, da classe das vitaminas que funcionam como cofator enzimático, ou seja, se ligam a determinadas enzimas para que estas exerçam seus papéis.
Atua no metabolismo das proteínas e dos carboidratos, agindo indiretamente na utilização dos hidratos de carbono (açúcares e amido) e das proteínas. É nutriente necessário para o crescimento das células e para a produção de ácidos graxos, anticorpos, enzimas digestivas e metabolismo da niacina (vitamina B3). É essencial na manutenção da integridade da pele e cabelo. A biotina não é produzida pelo organismo, sendo necessária sua ingestão. É encontrada nos alimentos sob a forma de biocitina, e sua absorção depende da enzima biotinidase pancreática. Devido a essas ações da biotina, ela vem sendo bastante utilizada por razões médicas e não médicas, como suplemento alimentar, em altas doses.

Figura 1 – estrutura da Biotina
Imagem retirada de http://www.quimica.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=1646&evento=5
INTERFERÊNCIA LABORATORIAL
De acordo com o FDA (Food and Drug Administration), muitos suplementos alimentares promovidos para os cabelos, pele e unhas contêm níveis de biotina até 650 vezes a ingestão diária recomendada de biotina.
Os médicos também podem recomendar altos níveis de biotina para pacientes com certas condições, como esclerose múltipla (EM), já que estudos têm demostrado que altas doses de biotina parecem ser eficazes no tratamento da esclerose múltipla através de dois mecanismos, que são a promoção da mielinização e a produção de energia. Supõe-se que a biotina possa ajudar a retardar, parar ou até reverter a progressão da incapacidade associada à desmielinização.
Em 2017 o FDA lançou uma advertência sobre a interferência da biotina nos testes laboratoriais.
Em novembro de 2019 o FDA lançou outra advertência reforçando a interferência da biotina nos testes laboratoriais e mostrando uma preocupação maior nos testes de troponina. O FDA diz estar “particularmente preocupado com a interferência da biotina, causando um resultado falsamente baixo da troponina, um biomarcador clinicamente importante para auxiliar no diagnóstico de ataques cardíacos, o que pode levar a um diagnóstico incorreto e implicações clínicas potencialmente graves”.
A interferência da biotina em altas doses é real em determinados testes laboratoriais. Isto porque estes testes utilizam um complexo biotina/estreptavidina em sua estrutura. Em baixas doses não há comprometimento nos testes.
A estreptavidina é uma proteína que tem alta afinidade pela biotina, sendo assim quando se ligam esta ligação é bastante forte.
A biotina, por sua vez, também se liga facilmente à um grande número de outras proteínas.
Essas proteínas de interesse são, então, biotiniladas e a estreptavidina passa a ser o elo entre elas. O complexo biotina/estreptavidina passa a fixar a proteína de interesse, permitindo kits de testagem de alta sensibilidade e precisão.
A interferência pode ser elevando ou diminuindo os valores dos testes, dependendo do tipo de ensaio utilizado.
Os testes mais comumente atingidos pelas altas doses de biotina são tireoidianos, reprodutivos e troponina.
Figura 2 – Interferência da biotina nos ensaios tipo sanduícheImagem retirada de www.labrede.com.br



