Em outubro de 2023, houve um enorme aumento de mortalidade em populações de leões marinhos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Um grupo de cientistas, com participação de pesquisadores da USP, identificou que a causa das mortes foi o vírus da gripe aviária H5N1 e relatou a descoberta em artigo na revista científica BMC Veterinary Research, da Springer Nature. O estudo sugere que o H5N1, da mesma espécie do vírus da gripe, está aumentando a capacidade de se replicar em mamíferos, inclusive em seres humanos, o que reforça a necessidade de monitoramento permanente para manter as vacinas atualizadas e evitar pandemias.

Helena Lage Ferreira – Reprodução: Fapesp
“Nossa pesquisa visa caracterizar o vírus da influenza aviária, identificado pela primeira vez em aves silvestres no Brasil em maio de 2023 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, diz a professora Helena Lage Ferreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, que coordenou o estudo. “O vírus, que emergiu no Sudeste asiático em 1996, tem sido responsável desde 2020 em todo mundo por uma epizootia, ou seja, quando doenças que ocorrem em populações de animais disseminam-se com rapidez e há um aumento no número de casos”, afirma a professora, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV).
Em 2023, a mortalidade e encalhe dos animais na costa de SC aumentou mais de 1600% em relação ao período anterior (2015-2022), de acordo com dados disponíveis na plataforma Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (Simba) e analisados pelos pesquisadores dos Programas de Monitoramento de Praias de Santa Catarina, colaboradores da pesquisa. “O artigo visou a caracterização dos vírus de influenza aviária em leões marinhos da América do Sul (Otaria flavescens) em Santa Catarina, região Sul do Brasil”, afirma Helena Lage Ferreira.
“O vírus da influenza aviária pertence à mesma espécie do vírus da influenza sazonal que acomete as pessoas, por isso, este vírus é capaz de infectar aves e mamíferos, incluindo os seres humanos”, ressalta a professora da FZEA. “O monitoramento genômico e a caracterização dos vírus são importantes para a preparação de uma possível pandemia.”
Ave da espécie da trinta-réis real – Reprodução: foto cedida pela pesquisadora




