A paternidade e a liderança de pessoas

Flávio Balbino*

Estudei Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Direito. Realizei várias pós-graduações, especializações e um MBA. Sou pai há 15 anos e posso afirmar, com convicção, que a paternidade foi e continua sendo, a maior escola de liderança da minha vida.

Minha jornada como pai começou com o João Victor, que não chegou a nascer. Mas, mesmo em tão pouco tempo, ele me ensinou sobre amor, dor, entrega e sobre como a vida não nos pertence. Ensinou que liderar é aprender a seguir em frente quando não entendemos os porquês.

Depois veio o João Pedro, que enfrentou um câncer com apenas 1 ano e meio. Depois de sessões de quimioterapia e um transplante de medula, a cura. Hoje, aos 14 anos, ele é a prova viva de que a paciência, a fé, a disciplina e o cuidado diário constroem vitórias que não aparecem nos relatórios, mas moldam o caráter. Acompanhar sua luta me ensinou que não existe liderança verdadeira sem resiliência, presença e coragem para enfrentar os dias difíceis.

Por fim, vieram as gêmeas, Clara e Alice, hoje com 10 anos. Elas me ensinam diariamente sobre equilíbrio, escuta, sensibilidade e a importância de tratar pessoas diferentes de forma justa — não igual, mas justa. Cada uma com seu tempo, sua personalidade e seu jeito de enxergar o mundo.

É dentro dessa vivência familiar que aprendi que ninguém nasce pronto. Pessoas se formam. Erram, aprendem, amadurecem e evoluem. Educar exige constância, limites claros, diálogo e, acima de tudo, caridade — no sentido mais profundo da palavra: enxergar o outro como pessoa, sem desistir do que é certo.

E são essas experiências que refletem diretamente na forma como conduzo a Wiener lab. Brasil. Liderar com amor não significa ausência de cobrança. Liderar com paciência não é tolerar o erro repetido. Liderar com caridade não é abrir mão de resultados.Significa criar um ambiente onde as pessoas saibam o que se espera delas, tenham espaço para crescer e sejam tratadas com respeito e dignidade.

Existe, naturalmente, uma diferença essencial entre família e empresa, pois na família não se demite. Educa-se, corrige-se, insiste-se e segue-se junto. Na empresa, a relação é profissional e espera-se comprometimento, alinhamento de valores e disposição para fazer o que precisa ser feito. Quando isso não acontece, a liderança precisa agir e, se necessário, substituir, sempre com justiça, clareza e humanidade.

A paternidade me lembra diariamente que pessoas importam, que processos existem para servir às pessoas e que resultados sustentáveis nascem de relações saudáveis. Mas também ensina que amar é orientar, corrigir e tomar decisões difíceis quando elas são necessárias.

Ou seja, conduzir uma empresa é, em muitos aspectos, como educar: exige visão de longo prazo, coerência entre discurso e prática e a certeza de que o exemplo fala mais alto do que qualquer palavra.

Se levo algo da paternidade para a liderança empresarial, é a convicção de que é possível e necessário, unir humanidade e responsabilidade, empatia e disciplina, amor e decisão. É assim que acredito ser possível construir não apenas uma empresa forte, mas uma organização que faça sentido para todos que caminham conosco e que continue tornando o futuro possível.

*É diretor geral da Wiener lab. Brasil