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O papel dos laboratórios em relação à Dengue, Zika e Chikungunya

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A Dengue, a Zika e a Chikungunya são doenças virais transmitidas por meio dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Só nos seis primeiros meses de 2019, mais de 400 pessoas morreram no Brasil após contrair uma dessas doenças. Este número é quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 151 pessoas faleceram devido a complicações das doenças.

Essas três infecções são parecidas, apresentando sintomas semelhantes. Isso pode acabar dificultando o diagnóstico. Contudo, algumas pequenas diferenças podem ser usadas no processo de identificação da doença.

A Dengue, por exemplo, causa febre, dores no corpo, manchas na pele e, em casos mais graves, hemorragia. Já as dores causadas pela Chikungunya concentram-se nas articulações dos pacientes. A Zika, entre as três, é a que possui sintomas mais leves. Entretanto, é importante destacar que, caso a doença seja contraída durante a gestação, a criança pode nascer com microcefalia.

Papel dos laboratórios

Devido às similaridades das infecções, os laboratórios exercem um papel decisivo no diagnóstico. Eles auxiliam o médico na identificação da doença tanto por meio de hemogramas, como de imunoensaios que detectem a presença de antígenos ou anticorpos específicos.

Segundo Bárbara Patrícia de Morais, pesquisadora colaboradora do CDICT da Labtest, após a infecção por qualquer um dos vírus, acontece um período de viremia, onde é possível detectar os antígenos, seguido do desenvolvimento de anticorpos. Através dos imunoensaios, os laboratórios, então, detectam esses antígenos ou anticorpos na amostra do paciente. “Quando um paciente é infectado pelo vírus, há primeiro a replicação do vírus, que é caracterizada pela alta carga viral (período de viremia), e em seguida ocorre a resposta imunológica. O anticorpo IgM é detectado na fase aguda da doença. Com o avanço da infecção, na fase crônica, identifica-se o anticorpo IgG. Há ensaios que são capazes de detectar tanto o IgM e o IgG quanto o antígeno, que é a parte do vírus. Para Dengue, o antígeno mais comum detectado nos imunoensaios é o NS1”, detalha.

Para a Dengue, a análise é diferente

A pesquisadora ainda explica que para Dengue há quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4. Ou seja, uma pessoa pode ser infectada pelo vírus quatro vezes e desenvolver a doença. “No caso de infecções secundárias, o desenvolvimento dos anticorpos IgM acontece em um período mais curto. A resposta imunológica é muito mais rápida. Por isso, é possível identificar na amostra do paciente o anticorpo IgG mais precocemente. Esse é um indício que a infecção pode ser secundária”, comenta.

Um dos métodos padrão-ouro para identificação destas doenças é o PCR. Por meio deste exame, é possível identificar a presença do material genético do vírus na amostra do paciente. Normalmente, nestas doenças, os vírus são eliminados em pouco tempo. Por isso, o PCR apresenta uma maior utilidade diagnóstica, no início da infecção, antes do término dos sintomas.

Diagnóstico em conjunto

O diagnóstico dessas doenças só deve ser dado a partir de um conjunto de fatores. A pesquisadora explica que, sozinho, o imunoensaio apenas auxilia a identificação das doenças.  “É necessário que o médico analise também o hemograma e se atente aos sintomas relatados pelo paciente. Só assim é possível ter um diagnóstico confiável”, alerta Bárbara.

Outro aspecto dos imunoensaios que merece cuidado é a possibilidade de reatividade cruzada entre os vírus. Bárbara explica que, apesar dos imunoensaios para os três vírus serem muito bem estabelecidos, há grandes chances de acontecer uma reatividade cruzada.

“É muito difícil fazer diagnósticos precisos fazendo ensaio apenas para um dos vírus. O recomendado é que sejam feitos testes para os três vírus, mesmo que o paciente apresente sintomas só de um. Se os três testes não são realizados, o paciente que está com Zika pode ser diagnosticado com Dengue, por exemplo, caso ocorra reatividade cruzada”, alerta a pesquisadora. Saber qual vírus está atuando naquele paciente não é essencial para o tratamento, uma vez que para estas infecções o tratamento apenas ameniza os sintomas. Mas é importante saber qual dos vírus é responsável pela infecção, principalmente para Zika, que pode causar a microcefalia em bebês. É necessário que a gestante saiba exatamente qual vírus contraiu para que o pré-natal seja feito de forma adequada.

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