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Novembro Azul: a Medicina Nuclear na luta contra o câncer de próstata

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a projeção é que, assim como em 2016, em 2017 mais de 60 mil novos casos de câncer de próstata venham à tona. Com essa estatística, esse tipo de tumor representa um total de 28% de todos os casos de neoplasias em homens, tornando-se o câncer mais comum na população masculina. No Distrito Federal, os últimos dados disponíveis, também do INCA, colocam a taxa bruta de incidência estimada em 60,49 casos a cada 100 mil habitantes, um valor que é 350% superior ao segundo colocado da lista: o câncer colorretal com 17,24 casos a cada 100 mil habitantes.

É por cenários como esse que tomam força campanhas para diagnóstico precoce e acesso à tratamento da doença. Às vésperas do “mês azul”, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decide se os planos de saúde devem ou não cobrir um novo tratamento para a fase mais avançada da doença: o câncer de próstata metastático. Aprovado para venda no Brasil desde 2015, o radiofármaco Rádio-223 é indicado para pacientes com câncer de próstata resistente à castração (CPRC) com metástases ósseas (nome dado quando o câncer começa a se espalhar pelos ossos).

“O princípio desse tratamento é ‘imitar’ o cálcio presente nos ossos. Isso permite que o radiofármaco, nome dado ao composto que carrega concentrações mínimas de radiação, seja absorvido pela estrutura óssea e se aproxime das células metastáticas. É nesse momento que emite uma dose direcionada de radiação, atacando o câncer”, explica o médico nuclear Gustavo do Vale Gomes, especialista em tratamento com Rádio-223, gestor clínico do Núcleos e integrante da Diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).

Segundo ele, existem estudos mostrando que esse tratamento, em poucas sessões, pode conter o avanço do câncer, garantindo meses a mais de vida para esse paciente. Além de propiciar esse tempo a mais, a terapia com Rádio-223 ainda é apontada como uma alternativa para o conforto do paciente, uma vez que a ação é mais localizada do que a da radioterapia e da quimioterapia, o que se traduz em menos efeitos adversos do tratamento.

“Estamos bastante satisfeitos em conseguir atender, já nessa fase inicial, um número expressivo de pacientes no Distrito Federal e esperamos ampliar esse atendimento gradativamente, principalmente à partir desse mês, quando foi incluído no rol da ANS. Até o momento o Grupo Núcleos já soma quinze pacientes tratados ou em tratamento no Distrito Federal. Ainda assim, alguns entraves limitam esse avanço, como a liberação da terapia no sistema público de saúde”, conta.

Fazendo o câncer brilhar

Outro avanço da Medicina Nuclear contra o câncer de próstata é conhecido por uma sigla extensa: o PET/CT com PSMA-68Ga. Apesar do nome complicado, o princípio por trás da técnica de diagnóstico por imagem é simples.

“Em linhas gerais, temos uma substância desenvolvida para ser captada pelas células cancerígenas, emitindo uma radiação a partir dela. Essa radiação é detectada por um equipamento conhecido como PET/CT, um dos principais avanços da medicina nuclear. Graças ao elemento radioativo, esse tipo de diagnóstico por imagem é capaz de fazer os focos de câncer literalmente brilharem, permitindo o diagnóstico de metástases que passariam despercebidas por outros métodos, ajudando os médicos a traçarem linhas diferentes de tratamento”, explica o Diretor do Grupo Núcleos.

A sigla extensa remete ao uso de um traçador específico, denominado prostate specific membrane antigen (origem do PSMA). Essa é uma proteína de superfície que se encontra em altas quantidades em células metastáticas do câncer de próstata. Assim, quando injetada no paciente, a substância acaba “procurando” pelas metástases, mesmo aquelas menores e invisíveis por outros exames. Para esse teste o PSMA é marcado com uma substância radioativa conhecida como Gálio-68, daí o nome completo e extenso.

“O PET/CT com PSMA é apontado como um fator dramático para a alteração da forma como os médicos abordam a doença. Até 50% da conduta terapêutica pode ser mudada após sua realização, tornando o exame peça chave para abordagens individualizadas do câncer de próstata, visando maiores chances de cura e menores impactos e sequelas”, finaliza.


 

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