Março Azul Marinho e câncer colorretal no Brasil | Newslab

Março Azul Marinho e o câncer colorretal, o papel estratégico do rastreamento na redução da mortalidade

Com alta incidência no Brasil, diagnóstico precoce e adesão aos exames são determinantes para mudar o curso da doença

O câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, é um dos tumores com maior impacto no Brasil e no mundo, tanto pela incidência quanto pela mortalidade associada. Globalmente, são quase dois milhões de casos novos ao ano e mais de 900 mil mortes relacionadas à doença, o que o coloca entre as principais causas de óbitos por câncer em adultos, especialmente em países de renda média e alta onde há transição nos padrões de risco e de estilo de vida.

No Brasil, estimativas nacionais recentes indicam que o câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes, com dezenas de milhares de novos diagnósticos todos os anos. Esses números refletem tanto a magnitude do problema quanto as lacunas nos mecanismos de rastreamento e prevenção em grande parte da população.

A campanha Março Azul Marinho, que ganha destaque neste mês, tem justamente o objetivo de conscientizar profissionais de saúde e a população sobre a importância da detecção precoce e da adoção de medidas preventivas, em um cenário em que a doença ainda avança silenciosamente em seus estágios iniciais, dificultando o diagnóstico oportuno quando sinais e sintomas ainda estão sutis.

Epidemiologia e impacto no país
Os registros epidemiológicos brasileiros colocam o câncer colorretal entre os tumores mais diagnosticados no país, com estimativas que variam conforme a fonte e o período analisado. Projeções oficiais para o triênio 2023-2025 apontam que são registrados cerca de 45 mil novos casos por ano, em ambos os sexos, posicionando a doença como uma das mais frequentes fora os tumores de pele que não são melanoma.

Esse cenário de alta incidência traduz-se também em relevância em mortalidade. Estudos apontam que o câncer colorretal está entre as principais causas de morte por câncer, fator que reforça a necessidade de políticas públicas mais amplas para diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

Detecção precoce e desafios de rastreamento
O reconhecimento precoce é um dos principais fatores para melhores desfechos em câncer colorretal. Nos estágios iniciais, a doença muitas vezes não causa sintomas ou causa alterações vagamente atribuídas a outras condições gastrointestinais, o que leva ao adiamento da procura por avaliação médica.

Ao lado de sintomas como sangramento retal, anemia ou mudanças persistentes no hábito intestinal, o rastreamento em indivíduos assintomáticos constitui a principal estratégia para reduzir a mortalidade. Organizações internacionais de saúde recomendam que adultos com risco médio comecem a ser rastreados a partir dos 45 anos, com exames regulares ao longo da vida adulta, mesmo sem sintomas.

No Brasil, ainda não há uma diretriz nacional oficial consolidada para o rastreamento populacional do câncer colorretal, embora sociedades médicas especializadas sugiram a adoção de estratégias similares às internacionais, com início do rastreamento mais precoce em grupos de risco e acompanhamento contínuo em idade adulta.

Exames e ferramentas diagnósticas
Entre os métodos disponíveis para rastreamento, a colonoscopia é considerada o exame de referência por permitir visualização direta do cólon e do reto, além da remoção de pólipos durante o procedimento, que por si só já é uma forma de prevenção. Testes de sangue oculto nas fezes, especialmente os baseados em métodos imunológicos de alta sensibilidade, são outra ferramenta importante, especialmente em programas populacionais que buscam alcançar maior adesão por serem menos invasivos.

A estratégia ideal de rastreamento combina abordagem de triagem acessível com seguimento oportuno, de maneira que casos iniciais possam ser detectados antes de evolução significativa da doença.

Prevenção e fatores de risco
A prevenção do câncer colorretal envolve tanto medidas comportamentais quanto vigilância médica ativa. Fatores de risco bem estabelecidos incluem obesidade, sedentarismo, dieta com baixa ingestão de fibras e elevada ingestão de carnes vermelhas e processadas, consumo excessivo de álcool e tabagismo, entre outros.

A adoção de um padrão de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, é uma recomendação recorrente em diretrizes de saúde, complementando ações de rastreamento para reduzir o risco global da doença.

Tratamento e perspectivas contemporâneas
Quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer colorretal tem maiores chances de cura, frequentemente com cirurgia seguida de terapias complementares conforme necessidade clínica. Em estágios mais avançados, combinações de tratamentos, incluindo quimioterapia e terapias direcionadas, ampliam as opções terapêuticas e contribuem para o controle da doença.

Os avanços em oncologia e em medicina diagnóstica, juntamente com uma maior conscientização pública promovida por campanhas como o Março Azul Marinho, oferecem um cenário de oportunidades para reduzir a carga da doença. A ampliação e qualificação do rastreamento, a educação em saúde e o fortalecimento de políticas preventivas permanecem como pilares centrais para transformar a realidade epidemiológica brasileira em relação a esse câncer que, apesar de frequente e letal, é altamente prevenível quando detectado precocemente.