O Brasil permanece entre os países com maior número de novos casos de hanseníase no mundo, cenário que reforça a importância do diagnóstico precoce como principal estratégia para evitar sequelas físicas e interromper a cadeia de transmissão da doença. Dados consolidados indicam que o país figura, ao lado da Índia e da Indonésia, entre as nações responsáveis por cerca de 80 por cento das notificações globais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 180 mil novos casos de hanseníase foram registrados globalmente em 2023. Nas Américas, o Brasil responde pela ampla maioria das notificações, com registros expressivos nos últimos anos, especialmente em regiões onde persistem desigualdades no acesso à atenção primária e ao diagnóstico oportuno.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. As manifestações clínicas podem incluir manchas claras, avermelhadas ou acastanhadas na pele, frequentemente associadas à perda ou alteração da sensibilidade, dormência, formigamento e dor ao longo dos nervos. Quando não identificada e tratada precocemente, a doença pode evoluir para comprometimentos neurológicos irreversíveis.
Diagnóstico tardio ainda é um obstáculo
Um dos principais desafios no controle da hanseníase no Brasil é o diagnóstico tardio. Estimativas apontam que uma parcela significativa dos casos é identificada apenas quando o paciente já apresenta incapacidades físicas, classificadas como grau 2. Esse cenário reflete tanto o subdiagnóstico quanto a baixa percepção dos sinais iniciais da doença, que podem ser confundidos com outras condições dermatológicas ou neurológicas.
Especialistas destacam que o início do tratamento nos estágios iniciais reduz drasticamente o risco de sequelas e, após a primeira dose da poliquimioterapia, o paciente deixa de transmitir a doença. Ainda assim, a ausência de sintomas dolorosos nas fases iniciais contribui para que muitos indivíduos posterguem a busca por avaliação médica.
Papel estratégico da medicina diagnóstica
O enfrentamento da hanseníase depende de uma atuação integrada entre atenção primária, infectologia e serviços de diagnóstico. A identificação clínica das lesões cutâneas, associada à avaliação neurológica, continua sendo fundamental, mas o apoio diagnóstico, a capacitação dos profissionais de saúde e o acompanhamento sistemático dos contatos próximos são decisivos para o controle da doença.
Além disso, a variabilidade das formas clínicas da hanseníase exige análise individualizada de cada caso, o que reforça a importância da formação continuada de equipes médicas e multiprofissionais, bem como da vigilância epidemiológica ativa.
Tratamento eficaz e gratuito
O tratamento da hanseníase é realizado por meio da poliquimioterapia, que combina medicamentos como rifampicina, dapsona e clofazimina. O esquema terapêutico varia de seis a doze meses, conforme a classificação clínica do paciente, e é disponibilizado gratuitamente pelo sistema público de saúde. Quando seguido corretamente, o tratamento é altamente eficaz e promove a cura.
Ao diagnóstico de um caso confirmado, a avaliação de contatos domiciliares e próximos é uma medida essencial para a detecção precoce de novos casos e para a interrupção da transmissão.
Janeiro Roxo e o combate ao estigma
A hanseníase ainda carrega um forte estigma histórico, associado a séculos de exclusão social e desinformação. No Brasil, o Dia Mundial e Nacional de Combate à Hanseníase é celebrado no último domingo de janeiro, 25 de janeiro em 2026, e integra a campanha Janeiro Roxo, instituída por lei, com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce e combater o preconceito.
Informação qualificada e acesso ao diagnóstico continuam sendo as ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto da hanseníase, evitar sequelas e promover cuidado digno às pessoas acometidas pela doença.


