Pesquisadores da Universidade de Shenzhen, na China, acabam de apresentar um avanço tecnológico com potencial para transformar o diagnóstico oncológico. Eles desenvolveram um sensor óptico capaz de identificar sinais moleculares de câncer em níveis extremamente baixos no sangue, muito antes de tumores se tornarem visíveis em exames de imagem e antes que surgam sintomas clínicos significativos. Essa inovação foi recentemente publicada na revista científica Optica, do grupo Optica Publishing Group, uma plataforma internacional de pesquisa focada em ciência da luz e óptica.
A tecnologia combina nanobiotecnologia, estruturas de DNA nanoestruturadas, pontos quânticos e ferramentas de edição genética CRISPR para detectar proteínas, fragmentos de DNA e outros biomarcadores associados ao câncer em concentrações sub-attomolares, um nível de sensibilidade que permite visualizar apenas algumas moléculas em uma amostra de sangue.
A equipe liderada pelo pesquisador Han Zhang, da Universidade de Shenzhen, integrou estruturas de DNA tetraédrico para posicionar pontos quânticos sobre uma superfície de dissulfeto de molibdênio (MoS₂). Quando um biomarcador alvo é reconhecido, a proteína CRISPR-Cas12a corta a estrutura de DNA mantendo os pontos quânticos, produzindo uma queda mensurável no sinal óptico gerado pela técnica conhecida como geração de segunda harmônica. Essa capacidade de detectar diretamente sinais moleculares sem necessidade de amplificação laboratorial complexa é um marco importante na sensibilidade diagnóstica.
Nos testes realizados com amostras de pacientes com câncer de pulmão, o sensor mostrou capacidade de detectar marcadores moleculares com uma precisão extraordinária, mesmo em concentrações tão baixas que outros métodos convencionais não o fariam. Essa característica sugere que, no futuro, um simples exame de sangue poderia sinalizar a presença de câncer em fases extremamente precoces, muitos meses antes de um tumor ser diagnosticado por tomografia ou ressonância magnética.
Além de permitir diagnósticos precoces, a tecnologia pode transformar o monitoramento da resposta ao tratamento, oferecendo dados quase em tempo real sobre como os níveis de biomarcadores variam com o passar do tempo. O design programável da plataforma abre portas para detectar, além de diversos tipos de câncer, sinais de outras doenças, como infecções virais, toxinas ambientais ou marcadores associados a doenças neurodegenerativas como Alzheimer, segundo os próprios autores do estudo.
Especialistas em oncologia e diagnósticos moleculares reforçam que a detecção precoce continua sendo fundamentais para melhorar as taxas de sobrevivência e reduzir os custos associados ao tratamento do câncer. Integrar sensores ópticos e biotecnologias avançadas pode acelerar a transição de exames clínicos complexos para ferramentas acessíveis em laboratórios e unidades de saúde. A publicação desses resultados em Optica aponta para um futuro em que exames de sangue, simples e sensíveis, desempenhem um papel central na prevenção, no rastreamento e na condução personalizada de terapias oncológicas.



