Casos que não passavam de um por ano chegaram a oito no HC de Ribeirão Preto, revela pesquisa mais recente no País publicada na Scientific Report
Estudo em quatro centros médicos no Brasil, durante 2,5 anos, traz a maior série de casos recentes de sífilis ocular já registrada e revela que há um aumento preocupante da doença que pode causar dano permanente à visão, mesmo com o tratamento adequado.
No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP, por exemplo, até 2012 um caso de sífilis ocular era identificado por ano; a partir de 2013, esse número passou para oito, conta o professor João Marcello Furtado da FMRP, um dos pesquisadores que assina o estudo publicado na semana passada na Scientific Reports, do grupo Nature.
Diante desse cenário, o professor diz que a sífilis tem que ser investigada em todos os casos de inflamação intraocular, a chamada uveíte, e que é urgente a implantação de políticas públicas de educação e conscientização para alertar sobre o problema das doenças sexualmente transmitidas. “O diagnóstico incorreto atrasa o tratamento adequado e a sífilis tem como ser prevenida com o uso de preservativos”, lembra o professor.
Furtado faz alerta também aos médicos, clínicos gerais ou infectologistas, que devem perguntar de queixas oculares e encaminhar ao oftalmologista, se necessário, sempre que diagnosticar um caso de sífilis. “Já o oftalmologista sempre que examinar paciente com inflamação ocular, suspeitar de sífilis”.
Olho com sífilis ocular (Foto: https://ulisex.com/)




