Dia 30 de janeiro é Dia Mundial das Doenças Negligenciadas e a Chicungunya está entre as enfermidades tropicais negligenciadas. Abaixo as dez informações que você precisa saber sobre a doença:
Transmissão: transmitida principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos da dengue e Zika. Também pode ocorrer transmissão da mãe para o bebê no parto e, raramente, por transfusão de sangue;
Doença global: tem se expandido globalmente, com surtos frequentes em áreas urbanas densamente povoadas, favorecidos pela urbanização, viagens e dificuldade no controle do mosquito;
Sintomas principais: provoca febre aguda e fortes dores articulares. Podem ocorrer dor muscular, dor de cabeça, fadiga e manchas na pele. Casos graves são mais comuns em idosos, recém-nascidos e pessoas com doenças crônicas;
Recuperação lenta: embora a fase aguda dure poucos dias, até 40% dos pacientes podem apresentar dor articular persistente por meses ou anos;
Diagnóstico difícil: a doença pode ser confundida com dengue, Zika e outras infecções. O diagnóstico laboratorial é essencial, especialmente para orientar o tratamento correto;
Sem tratamento específico: não há antiviral específico. O tratamento é sintomático, com analgésicos, hidratação e repouso. Anti-inflamatórios só devem ser usados após descartar dengue;
Prevenção depende da vigilância: monitoramento de casos e controle rigoroso do mosquito são fundamentais para evitar surtos, incluindo eliminação de criadouros e ações comunitárias;
Proteção individual é essencial: uso de repelentes, roupas que cubram a pele, telas em janelas e eliminação de água parada reduzem o risco de infecção.
Pesquisa em andamento: apesar dos grandes surtos globais, ainda há lacunas no conhecimento sobre a doença. Pesquisas continuam em diagnóstico, tratamentos e vacinas.
Atenção aos casos crônicos: pessoas com dores articulares persistentes precisam de acompanhamento médico, fisioterapia e apoio psicossocial.
Segundo o médico infectologista consultor da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Dr. Ruan Fernandes, “Chikungunya ainda é uma doença negligenciada, apesar do impacto significativo que pode causar na qualidade de vida das pessoas, especialmente pelos quadros de dor articular crônica. O diagnóstico correto e oportuno é fundamental para diferenciar a doença de outras arboviroses, como dengue e Zika, permitindo o manejo adequado na fase aguda e o diagnóstico diferencial com doenças reumatológicas para conduta adequada nas formas crônicas. No Dia Mundial das Doenças Negligenciadas, é essencial reforçar que a vigilância epidemiológica, o acesso ao diagnóstico laboratorial e as ações de prevenção são pilares para reduzir o impacto dessas doenças na população. Atualmente, já dispomos de tecnologias sorológicas e de biologia molecular, incluindo testes multiplex, que permitem identificar a chikungunya simultaneamente a outras causas de doença febril aguda, com alta sensibilidade e especificidade.”.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)


