Um novo marco na pesquisa oncológica destaca um progresso significativo na detecção de câncer de mama agressivo usando biopsia líquida, tecnologia não invasiva que analisa componentes tumorais no sangue, e promete aprimorar a vigilância de tumores e a tomada de decisões clínicas em tempo real. O estudo, conduzido por pesquisadores do Baylor College of Medicine, foi publicado na revista Cancer Research Communications e detalha como uma estratégia inovadora conseguiu identificar com maior sensibilidade células tumorais circulantes em pacientes com câncer de mama triplo negativo, uma das formas mais desafiadoras da doença.
Este subtipo de câncer de mama, conhecido pela alta taxa de metastização e pela ausência de alvos terapêuticos específicos, tem na disseminação via corrente sanguínea um dos principais motivos de mortalidade. A monitorização de células tumorais circulantes, ou CTCs, é um indicador crucial da progressão metastática, mas tem sido limitada por métodos que não conseguem distinguir essas células raras de células sanguíneas normais com precisão.
Na investigação liderada pela equipe americana, os cientistas desenvolveram um fluxo de trabalho para isolar CTCs vivas diretamente de amostras de sangue, inicialmente em modelos animais e posteriormente em amostras de pacientes com doença metastática. A captura de células vivas é um diferencial importante, pois permite análises detalhadas de expressão gênica e características moleculares de cada célula individual.
Usando sequenciamento de RNA de célula única, foi possível identificar quatro proteínas de superfície celular que estão presentes em CTCs de câncer de mama triplo negativo mas não em células sanguíneas normais. Esses marcadores – AHNAK2, CAVIN1, ODR4 e TRIML2 – funcionam como alvos específicos para melhorar a detecção das células tumorais no sangue. Quando combinados, esses biomarcadores aumentaram substancialmente a sensibilidade da identificação de CTCs em comparação com métodos convencionais, revelando células que anteriormente passavam despercebidas.
Os resultados demonstraram que amostras que pareciam negativas pelos marcadores tradicionais passaram a revelar células tumorais claramente detectáveis com a nova combinação de proteínas. Essa melhoria na detecção pode transformar o monitoramento do câncer de mama triplo negativo, permitindo uma avaliação mais precisa da progressão da doença, da resposta ao tratamento e da disseminação metastática.
Além disso, os pesquisadores observaram que os marcadores identificados também podem estar presentes em outros tipos de câncer agressivos, sugerindo que a abordagem tem potencial de aplicação mais ampla no diagnóstico e no acompanhamento de diversas neoplasias.
Especialistas em medicina de precisão e biologia tumoral destacam que essa classe de tecnologia de biopsia líquida, que já está sendo explorada em múltiplos contextos clínicos, representa uma revolução em como acompanhamos e entendemos a evolução do câncer sem recorrer a procedimentos invasivos. Ao oferecer uma visão contínua da biologia do tumor por meio de uma simples amostra de sangue, essas metodologias podem ajudar a personalizar terapias e melhorar desfechos clínicos a longo prazo.
Com essa inovação, o cenário da biopsia líquida se aproxima ainda mais da prática clínica rotineira, marcando um passo promissor rumo a um futuro em que a detecção precoce, o monitoramento dinâmico e a resposta terapêutica sejam integrados e acessíveis para pacientes com câncer de mama e outras doenças oncológicas agressivas.


