A Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) expediu o último documento sobre o Panorama Econômico da Indústria do Diagnóstico Laboratorial, que contempla o período de janeiro a junho de 2026.
Com elaboração da Websetorial/Indusforum, o documento aponta crescimento acelerado do setor no Brasil.
Em termos gerais, o consumo aparente também apontou avanço de 10,6% no período de 12 meses encerrado em junho de 2026 impulsionado pela produção doméstica (+6,6%) e pelas importações (+11,5%, totalizando US$ 1,97 bilhão). Embora as exportações tenham crescido 7,0% (US$ 208,6 milhões), o déficit comercial foi de US$ 1,76 bilhão (alta de 12,1%).
No ano passado, o país realizou 1,96 bilhão de exames de diagnóstico laboratorial, sendo 593,2 milhões na rede ambulatorial e 33,8 milhões na hospitalar da saúde suplementar, além de 1,1 bilhão (ambulatorial) e 221,5 milhões (hospitalar) no SUS, com expansão total de 3,1% em relação a 2024, liderada pelo SUS hospitalar (+6,9%) e pela ANS ambulatorial (+5,8%).

“A acesso ao diagnóstico de forma precoce continua sendo uma das grandes ferramentas à melhoria da eficácia das terapêuticas disponíveis. Neste sentido é fundamental que o diagnóstico continue expandindo a sua cobertura, principalmente através da atenção primária”, comenta Carlos Gouvêa, presidente executivo da CBDL.
No que se refere ao desempenho setorial, os procedimentos de diagnóstico clínico no SUS subiram 4% em volume e 4,3% em valor nos 12 meses até junho de 2026, concentrados no laboratório clínico ambulatorial.
A inflação de exames laboratoriais (+4,65%) acompanhou o IPCA geral (+4,64%), enquanto exames de imagem, hospitalização e planos de saúde tiveram reajustes superiores.
Entre os destaques adicionais, estima-se o impacto anual de R$ 4,8 bilhões com colaboradores assalariados nas empresas filiadas à CBDL caso haja o fim da escala 6×1.
O boletim também traz uma conjuntura macroeconômica como as questões geopolíticas globais e o “Neomercantilismo”; os Estados Unidos e os déficits em descontrole; aspectos da Europa; dos países em desenvolvimento; e a China, no menor ritmo de crescimento em décadas; além de destacar o mercado brasileiro.
Além de uma profunda análise de desempenho, o Panorama Econômico da Indústria do Diagnóstico Laboratorial traz dados recentes relativos aos procedimentos em diagnóstico laboratorial no Brasil com gráficos de saúde pública e suplementar; atendimento ambulatorial privado e público de 2025; atendimento ambulatorial no SUS até meados de 2026; valores mensais nos procedimentos; um Infográfico especial sobre Exames no Brasil em 2025- SUS e Saúde Suplementar; informações detalhadas sobre o Comércio Exterior até junho de 2026; Importações e Exportações (a Argentina, com 95,8 milhões de dólares, lidera o segmento de reagentes e equipamentos para diagnóstico in vitro e o Estados Unidos é o principal destino das exportações de reagentes para diagnósticos in vitro com 32,3% – de janeiro a junho de 2026).
“A questão geopolítica é algo importantíssimo de ser avaliada pelas características do mercado de diagnóstico, com um portfólio muito amplo e com tecnologias bem avançadas, o que impede ou dificulta a produção local. Por estes motivos, a avaliação da situação das cadeias globais e a possível inserção do Brasil tem de ser permanentemente avaliada, inclusive em etapas de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, comenta Gouvêa.
E ainda, um RANKING DAS 10 POSIÇÕES NCMs DE REAGENTES PARA DIAGNÓSTICOS IN VITRO mais importadas em milhões de dólares com percentuais de janeiro a junho deste ano; e um estimativa de impactos na economia brasileira e nas empresas associadas à CBDL com o fim da escala 6X1.
Segundo o documento, a mobilização política para a extinção da Escala 6 x 1 que extingue a escala 6X1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial têm gerado amplo debate entre especialistas, entidades empresariais e pesquisadores, que reconhecem potenciais benefícios sociais, mas divergem quanto aos seus impactos econômicos e à forma de implementação.
Entre os principais impactos, o estudo da CNI estima uma possível redução de 0,7% do PIB, equivalente a R$ 76,9 bilhões, em razão do aumento dos custos trabalhistas e da menor competitividade, sobretudo nos setores de indústria, comércio e serviços e uma pressão sobre custos e preços: a manutenção dos salários com menos horas trabalhadas eleva o custo da mão de obra por hora.
Por fim, o documento traz informações sobre Epidemiologia com o surto de Ebola; controle do uso de antimicrobianos na produção animal para evitar a epidemia de RAM; e o combate ao HIV; além de novos testes e adoção de novas tecnologias no diagnóstico como Telemedicina e aplicação da Inteligência Artificial (IA) no diagnóstico.
“O diagnóstico laboratorial está em um momento muito importante por conta dos grandes avanços tecnológicos, além das inovações em processos e novos ambientes. Com a entrada efetiva de interoperabilidade, ganhos de escala e melhoria do acesso teremos como positivamente influenciar o acesso à saúde, reduzindo o custo de políticas públicas”, conclui.
O link para acesso ao Panorama Econômico da Indústria do Diagnóstico Laboratorial:
CBDL Boletim Ed. 03 jan a jun 26 Ed. Final
(Com informações da CBDL – 02.10.2026)