Vacina contra a dengue do Instituto Butantan começa a ser aplicada em campanhas no Brasil

Imunizante nacional de dose única começa a ser aplicado a partir de 17 de janeiro em cidades-piloto, com expectativa de ampliar a prevenção da dengue no Brasil

O Brasil inicia um novo capítulo na luta contra a dengue a partir de 17 de janeiro de 2026, com a aplicação da vacina nacional contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, um imunizante inovador de dose única, que será ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em cidades-piloto e deve ser expandido gradualmente para outras regiões do país.

A iniciativa representa um marco histórico na imunização contra a dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti que segue como uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil e em diversas áreas tropicais do planeta.

Lançamento e implementação da campanha

A estratégia de vacinação começa por três municípios selecionados entre os primeiros a receber as doses produzidas: Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, terão a aplicação iniciada no dia 17 de janeiro, enquanto Botucatu, em São Paulo, começa a imunização no dia 18 de janeiro.

O objetivo inicial é vacinar pelo menos metade da população local nessas cidades-piloto, para que os órgãos de saúde possam avaliar o impacto da vacina no cenário real de transmissão. A campanha prioriza adultos entre 15 e 59 anos, um público considerado de maior risco e de circulação ativa nas áreas urbanas. Características da vacina Butantan-DV

O novo imunizante, denominado Butantan-DV, é a primeira vacina contra dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo a ser administrada em uma única dose, o que pode facilitar a logística de campanhas e aumentar a cobertura vacinal no país.

Nos estudos clínicos que embasaram seu registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Butantan-DV demonstrou uma eficácia geral de cerca de 75% na prevenção de casos sintomáticos da doença em pessoas de 12 a 59 anos, com proteção superior a 90% contra formas graves da dengue e proteção total contra hospitalizações decorrentes da doença.

Esses dados refletem cinco anos de acompanhamento de participantes em ensaios clínicos que somaram mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros, reforçando a segurança e eficácia do imunizante diante dos quatro sorotipos do vírus da dengue.

Logística e expansão da vacinação

A distribuição inicial de 1,3 milhão de doses destina-se a trabalhadores da atenção primária à saúde, que atuam na linha de frente do SUS, seguida pela oferta ao público geral nas faixas etárias prioritárias.

Com a ampliação da produção por meio de uma parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a expectativa é que a campanha de vacinação seja gradualmente ampliada para abranger todo o país, alcançando populações mais amplas conforme a disponibilidade dos imunizantes.

Impacto na saúde pública

A dengue tem sido responsável por um número significativo de casos e mortes no Brasil, gerando sobrecarga no sistema de saúde em anos de epidemias intensas. A introdução de uma vacina eficaz e de fácil aplicação busca reduzir a circulação do vírus, diminuir hospitalizações e aliviar a carga sobre as unidades de saúde públicas e privadas.

Especialistas apontam que, além da vacinação, ações integradas de vigilância, controle de mosquitos e educação da população continuam essenciais para enfrentar de forma sustentável essa doença endêmica no país e em outras regiões tropicais.

Conclusão

Com o início da vacinação nacional contra a dengue, o Brasil avança em uma estratégia de controle mais robusta contra uma infecção que atinge milhões de pessoas todos os anos. A expectativa é que, com a ampliação do acesso ao imunizante de dose única e com ações complementares de saúde pública, seja possível reduzir de forma significativa o impacto da doença em comunidades urbanas e rurais ao longo de 2026 e dos anos seguintes.

*Foto: Comunicação Butantan