A atividade aumentada das metaloproteinases nos pulmões de pessoas com covid-19 – em estado grave ou que foram a óbito – explica o agravamento da doença e também abre perspectivas para novos tratamentos
Equipe liderada pela USP identificou um novo processo ligado ao agravamento da covid-19: as enzimas metaloproteinases, MMP-2 e MMP-3, que se encontram aumentadas nos pulmões de infectados graves pelo vírus sars-cov-2. A descoberta, acreditam os pesquisadores, pode levar a novas possibilidades de tratamento da doença.
Um dos coordenadores do ImunoCovid, consórcio de laboratórios que investiga a covid-19, o professor Carlos Arterio Sorgi, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, conta que as metaloproteinases são importantes enzimas de regulação de reparo tecidual, mas, quando em expressão e atividade aumentadas, podem causar dano no tecido. O fato, segundo Sorgi, explica os danos nos pulmões dos doentes de covid-19 em estado grave.
Essas elevadas taxas de metaloproteinases se juntam à hiperinflamação, “já conhecida como tempestade de citocinas”, diz o professor Sorgi, e causam um dano muito grande, dificultando a regeneração do órgão. Segundo o pesquisador, os pulmões de pacientes graves com covid-19 pesquisados possuíam uma grande quantidade dessas enzimas. Os dados estão descritos no artigo Metaloproteinases de matriz na patogênese da doença pulmonar COVID-19 grave: ações cooperativas do eixo MMP-8/MMP-2 na resposta imune através da liberação de HLA-G e estresse oxidativo, publicado na revista científica Biomolecules.
Inibidores de metaloproteinases
A pesquisa foi realizada em amostras de aspirado brônquio-traqueal de 39 pessoas internadas em estado grave com covid-19. Todas estavam entubadas em UTIs da Santa Casa e do Hospital São Paulo, ambos em Ribeirão Preto, entre junho de 2020 e janeiro de 2021. Os pesquisadores também analisaram material de 13 voluntários hospitalizados em estado crítico e de pacientes que faleceram em decorrência da doença.
O aspirado é um procedimento de rotina nesses pacientes e os pesquisadores coletaram amostras para demonstrar a presença e a atividade das enzimas metaloproteinases. A partir dos materiais biológicos e dos dados clínicos, o grupo conseguiu correlacionar as descobertas com outros aspectos da doença para poder determinar melhor a patofisiologia da covid-19. “
Carlos Arterio Sorgi – Foto: Reprodução



