SUS inicia transição para insulina de ação prolongada | Newslab

SUS avança no cuidado ao diabetes com insulina de ação prolongada

Transição terapêutica começa em projeto piloto e sinaliza mudança estrutural no tratamento oferecido na rede pública

O tratamento do diabetes no Brasil entra em uma nova fase com o início da transição do uso da insulina humana intermediária para a insulina de ação prolongada no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde, marca um movimento estratégico para alinhar a assistência pública às práticas clínicas mais modernas, com foco em segurança, adesão terapêutica e qualidade de vida dos pacientes.

A implementação ocorre inicialmente por meio de um projeto piloto em estados selecionados e no Distrito Federal, atendendo grupos prioritários, como crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos em faixas etárias mais avançadas. A proposta é avaliar, em contexto real, os impactos clínicos e operacionais da substituição gradual da insulina NPH pela insulina de ação prolongada, especialmente a glargina.

Controle glicêmico mais estável e rotina simplificada

A insulina de ação prolongada apresenta um perfil farmacocinético mais previsível, com liberação contínua ao longo de aproximadamente 24 horas. Na prática clínica, isso permite reduzir oscilações glicêmicas, minimizar episódios de hipoglicemia e simplificar o esquema de aplicação, muitas vezes restrito a uma dose diária.

Esse modelo terapêutico favorece maior adesão ao tratamento, especialmente entre populações que enfrentam dificuldades logísticas ou limitações funcionais. Para o sistema público, a mudança também representa a possibilidade de melhorar desfechos clínicos sem comprometer a segurança do paciente, desde que acompanhada por protocolos bem definidos e monitoramento contínuo.

Produção nacional e soberania sanitária

A transição terapêutica está diretamente associada ao fortalecimento da produção nacional de insulinas. Por meio de parcerias estratégicas envolvendo o Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz, empresas nacionais e cooperação internacional, o Brasil amplia sua capacidade produtiva e reduz a dependência de importações.

Essa estrutura produtiva é considerada fundamental para garantir abastecimento contínuo, previsibilidade de custos e segurança no acesso, especialmente em um cenário global marcado por instabilidades na cadeia de suprimentos de medicamentos essenciais.

Implementação gradual e avaliação contínua

O Ministério da Saúde destaca que a substituição não será automática nem universal no curto prazo. A transição será conduzida de forma individualizada, respeitando critérios clínicos, resposta terapêutica e acompanhamento multiprofissional. O projeto piloto permitirá avaliar indicadores como controle glicêmico, ocorrência de eventos adversos, adesão ao tratamento e impacto na rotina dos pacientes.

Os dados obtidos nessa fase inicial servirão de base para decisões futuras sobre a ampliação da estratégia para outras regiões e perfis populacionais, consolidando um modelo de cuidado mais moderno e sustentável dentro do SUS.

Um passo estruturante para o futuro do cuidado ao diabetes

A introdução da insulina de ação prolongada na rede pública representa um movimento estruturante, que combina inovação clínica, política industrial em saúde e compromisso com a equidade no acesso ao tratamento.

Ao investir em tecnologias mais avançadas e em produção nacional, o SUS sinaliza uma mudança de paradigma no cuidado ao diabetes, com potencial para impactar positivamente milhões de brasileiros que dependem diariamente da insulinoterapia para manter sua saúde e qualidade de vida.