fonte: reprodução G1

Uso de preservativo é a única via de evitá-las (Foto: Asscom/Sesa ES)
Em levantamento publicado ontem (6) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que mais o aparecimento de mais de um milhão de novos casos de clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis por dia entre pessoas de 15 a 49 anos. O debate do uso de preservativo torna-se cada vez mais urgente.
Em 2016, foram 376,4 milhões de novas contaminações entre homens e mulheres com idade entre 15 a 49 anos, aponta estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo afirma que a difusão de infecções sexualmente transmissíveis ainda é um problema endêmico global – ou seja, essas infecções existem de forma constante em diversas regiões do mundo.
Em média, há mais de 1 milhão de novos casos de clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis por dia, diz a estimativa. Embora esse dado seja o mais recente, as conclusões do estudo são parecidas com outras estimativas divulgadas pela OMS no passado.
A principal forma de prevenção é o uso do preservativo. Além disso, o número de casos notificados não equivale ao número de pessoas, uma vez que há muitas situações de reinfecção do mesmo indivíduo. No Brasil, em particular, a grande parte das doenças são caracterizadas como doenças de notificação compulsória, o que amplia e melhora a coleta de dados. Contudo, não são todos os países que aplicam esta forma de coleta de dados, assim falta dados mais qualitativos sobre as DSTs em alguns países.
As quatro infecções afetam principalmente o aparelho reprodutivo e sexual humano, mas todas têm cura.
Número total de casos
A estimativa total é de 376,4 milhões de casos, dos quais:
- 127,2 milhões casos de clamídia
- 86,9 milhões de casos de gonorreia
- 156,0 milhões de casos de tricomoníase
- 6,3 milhões de casos de sífilis
Usando a classificação de países por renda, conforme a lista do Banco Mundial, a prevalência de gonorreia, tricomoníase e sífilis é maior nos países de baixa renda. Já a clamídia é mais presente nos países de renda média, inclusive na América Latina.
“As estimativas globais de prevalência e incidência dessas quatro infecções sexualmente transmissíveis curáveis permanecem em nível elevado”, dizem os autores da pesquisa. Segundo eles, o estudo mostra, ainda, a necessidade de se expandirem os esforços de produção de dados nos países e fornece uma base inicial para estratégias de combate a essas doenças em âmbito global.
O que são essas infecções
As infecções sexualmente transmissíveis causam problemas agudos nos órgãos genitais masculino e feminino. Em alguns casos, podem também prejudicar o reto e a faringe.
- Clamídia: causada por uma bactéria, essa infecção nem sempre apresenta sintomas. Quando eles existem, são corrimento amarelado ou claro, ardência ao urinar e dores durante o ato sexual. As mulheres podem ter sangramentos espontâneos e os homens, dor nos testículos.
- Gonorreia: causada por uma bactéria, provocador ou ardor na hora de urinar, inflamação na uretra, secreção e pus, principalmente nos homens. Nas mulheres pode causar desconforto abdominal ou até não ter sintomas.
- Tricomoníase: transmitida por um protozoário, provoca coceira, vermelhidão, dor ao urinar e inflamações. Nas mulheres, pode causar corrimentos e odores fortes.
- Sífilis: transmitida por uma bactéria, pode ter vários estágios de complexidade – primária, secundária, latente e terciária. Os sintomas mais visíveis são uma ferida no órgão genital ou manchas no corpo. Geralmente, não causa dor nem sangramento. Com o agravamento da doença, surgem febre e mal estar, além de ínguas no corpo. Nos casos mais graves, pode levar à morte.
A OMS alerta, ainda, que a clamídia e a gonorreia podem causar complicações sérias a médio e longo prazo, como inflamações pélvicas, gravidez ectópica (quando o embrião se forma fora do útero), infertilidade, dor e artrite. Além do ato sexual, elas podem ser transmitidas durante o parto.
A sífilis pode provocar graves danos neurológicos e também doenças de pele. Quando transmitida de mãe grávida para o filho ainda não nascido, pode causar a morte do feto, parto prematuro ou deficiências na criança.
Todas as quatro infecções aumentam os riscos de aquisição e transmissão do vírus HIV. Além disso, pessoas que vivem com infecções sexualmente transmissíveis enfrentam estigmas, estereótipos, preconceitos e estão sujeitas a uma maior vulnerabilidade na adolescência.
Metas de redução
O setor de estratégias da OMS já tem como meta reduzir em 90% a incidência de gonorreia e sífilis no mundo até 2030. Para isso, é preciso ampliar medidas de prevenção, exames e tratamento. O estudo deve ajudar a OMS a estabelecer metas para outras infecções, entre elas a clamídia e a tricomoníase.
“Estimativas de prevalência e incidência são essenciais para calcular o peso de doenças causadas por infecções sexualmente transmissíveis, e necessárias para a solicitação de recursos financeiros para apoiar programas voltados a essas infecções”, afirma o estudo da OMS.
Além de estimular o desenvolvimento de métodos para diagnóstico adequado e novas terapias, as estimativas mostram a necessidade de se fornecer vacinas e medicamentos em serviços públicos de saúde, dizem os autores do estudo.