O Fevereiro Laranja voltou a ocupar espaço no calendário da saúde como uma das principais campanhas de conscientização sobre a leucemia e a doação de medula óssea. A mobilização, reforçada por órgãos públicos, secretarias estaduais de Saúde e entidades médicas, destaca dois pontos centrais, reconhecer sinais clínicos precoces e ampliar o número de doadores cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea.
A leucemia é um câncer hematológico que se origina na medula óssea e compromete a produção normal das células sanguíneas. Apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico tardio ainda representa um desafio relevante, especialmente em quadros agudos, que podem evoluir rapidamente.
Cenário atual da leucemia no Brasil
Estimativas mais recentes indicam que o Brasil registra mais de 11 mil novos casos de leucemia por ano, considerando dados consolidados dos últimos triênios divulgados por instituições oficiais e amplamente utilizados como base epidemiológica em 2026. A doença afeta crianças, adolescentes, adultos e idosos, com características clínicas e prognósticos distintos conforme o subtipo.
Especialistas reforçam que, embora a leucemia não seja uma doença rara, seus sintomas iniciais frequentemente se confundem com condições comuns, o que contribui para atrasos no diagnóstico.
Sinais clínicos que não devem ser ignorados
Entre os principais sinais associados à leucemia estão alterações detectáveis em exames de sangue de rotina e manifestações clínicas persistentes. Os mais frequentes incluem:
-
fadiga intensa e prolongada
-
palidez e fraqueza
-
febre recorrente e infecções frequentes
-
sangramentos espontâneos ou manchas roxas na pele
-
perda de peso sem causa aparente
-
dores ósseas ou articulares
A orientação das entidades médicas é clara, sintomas persistentes ou associados devem motivar avaliação médica e investigação laboratorial adequada, com destaque para o hemograma completo como exame inicial.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce da leucemia é um dos fatores que mais impactam a resposta ao tratamento e o prognóstico do paciente. Em leucemias agudas, a identificação rápida permite iniciar protocolos terapêuticos antes que ocorram complicações graves, como infecções severas e sangramentos.
Nos últimos anos, o avanço das técnicas diagnósticas, incluindo análises moleculares e imunofenotipagem, ampliou a precisão na classificação da doença e na definição da estratégia terapêutica. Ainda assim, o acesso oportuno ao diagnóstico segue como ponto crítico, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
Transplante e doação de medula óssea
Em parte dos casos, especialmente em leucemias de alto risco ou recidivantes, o transplante de medula óssea representa uma opção terapêutica fundamental. No entanto, a chance de encontrar um doador compatível fora do círculo familiar é baixa, o que torna a ampliação do banco de doadores uma prioridade contínua.
O Brasil possui um dos maiores registros públicos de doadores de medula óssea do mundo, mas a diversidade genética da população exige um número cada vez maior de pessoas cadastradas para aumentar as chances de compatibilidade.
O cadastro é feito por meio do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, com critérios simples, idade entre 18 e 35 anos, boa condição de saúde e coleta de uma amostra de sangue para tipagem genética. A atualização periódica dos dados cadastrais é considerada essencial para o funcionamento efetivo do sistema.
Campanha reforça informação baseada em evidência
Em 2026, o Fevereiro Laranja mantém foco em comunicação clara, baseada em evidência científica e orientação médica, combatendo desinformação e mitos, especialmente sobre a doação de medula óssea. Um dos equívocos mais comuns ainda é associar o procedimento à medula espinhal, o que não corresponde à prática clínica atual.
Para especialistas, a campanha cumpre papel estratégico ao aproximar informação técnica da população, estimular a procura por atendimento médico diante de sinais persistentes e fortalecer uma cultura de doação consciente e informada.
O Fevereiro Laranja reforça uma mensagem objetiva, leucemia exige atenção contínua, diagnóstico precoce salva vidas e ampliar o número de doadores é uma necessidade permanente do sistema de saúde.



