fbpx

Ética e ciência: experimento polêmico de edição genética feito por chinês pode reduzir expectativa de vida

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

informações: BBC Saúde 

He Jiankui pesquisador chinês chocou o mundo científico em novembro de 2018, quando anunciou ter alterado o DNA dos embriões de duas bebês para torná-las resistentes ao HIV, caso elas entrassem em contato com o vírus. Um estudo recente demonstrou que a mutação genética recriada por He pode aumentar as chances de morte precoce, ainda na juventude.

O experimento de He consistiu em criar embriões in vitro e, utilizando técnicas de edição genética,  alterou o gene CCR5 que cumpre um papel determinante no sistema imunológico, fazendo com que este se “blindasse” a contaminação pelo HIV.

He Jiankui causou polêmica ao anunciar mutação genética de duas bebês, para protegê-las do HIV
(JIANKUI HE)

O ponto chave que levou He ser amplamente criticado pela comunidade científica mundial consistem no fato que o gene CCR5 não é apenas um gene que torna vulnerável a contaminação ao HIV, mas também cumpre outros papéis importantes no sistema imunológico. O gene também é responsável por ativar o cérebro no enfrentamento de outras infecções, especialmente a gripe.

Estudo publicado recentemente pela Universidade da Califórnia em Berkeley, analisou quase 410 mil pessoas no Reino Unido e identificou que as que tinham apenas a versão editada no CCR5 tinham 20% mais probabilidade de morrer antes de chegar aos 78 anos.

“Nesse caso, provavelmente não se trata de uma mutação que a maioria das pessoas gostaria de ter”, afirmou o professor Rasmus Nielsen, da UC Berkeley. “Em média, provavelmente será pior por tê-la.”

Ainda não é possível prever quais as consequências para as gêmeas que tiveram seu gene editado por He, contudo especialistas avaliam que a experiência foi perigosa e pouco responsável.

“É impossível prever se as mutações carregadas pelas meninas terão algum efeito”, afirma Robin Lovell-Badge, pesquisador do instituto de biomedicina Francis Crick.

Ainda que a mutação genética afete a expectativa de vida, especialistas também destacam que não é apenas o gene que determina tal desfecho. As condições de vida do indivíduo, que envolvem acesso à saúde em sua concepção mais integral, também são fatores decisivos para a expectativa de vida.

A experiência de He coloca em questionamento os limites éticos da pesquisa e qual é o limite que a comunidade científica pode ir sem atacar diretamente o destino e a vida de indivíduos. Duramente criticado na época, He defendeu seu trabalho e afirmou estar “orgulhoso” do experimento, agregando que as gêmeas serão monitoradas nos próximos 18 anos.

Pesquisas envolvendo edição genética ainda são restritas e levantam diversos questionamento acerca da ética na ciência. O experimento de He colocou a comunidade científica em alerta novamente sobre o papel que a pesquisa científica pode e deve cumprir para o avanço tecnológico da humanidade.

Confira a ultima edição da Newslab

Artigo científico: Infecção em âmbito hospitalar por Klebsiella pneumoniae produtora da enzima KCP

INFECÇÃO EM ÂMBITO HOSPITALAR POR KLEBSIELLA PNEUMONIAE PRODUTORA DA ENZIMA KCP   Benvindo Soares de Souza Junior1; Lucas Luiz de Lima Silva2; Aline Rodrigues Gama3*

Leia mais

Expectativa de vida dos paulistas seria maior caso não ocorressem as mortes por acidentes de trânsito

Homens teriam acréscimo de 0,49 ano na vida média, enquanto entre as mulheres, 0,12 ano   Estudo do Infosiga SP e da Fundação Seade conclui

Leia mais

Instituição que gere exames por imagem do SUS reduz 15% dos custos com armazenamento de exames na nuvem da Amazon

A instituição, que realiza 5 milhões de exames de imagem por ano, também ganhou eficiência e rapidez   Com o objetivo de armazenar imagens de

Leia mais
Seções
Fechar Menu