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Entenda a IgG4 específica, seu papel no monitoramento de imunoterapia e aplicação clínica

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A dosagem da IgG4 alérgeno-específica tem papel importante no monitoramento da imunoterapia, saiba mais.

As imunoglobulinas da classe IgG, em humanos, são classificadas em 4 subclasses e exibem características individuais para propriedades biológicas de ligação a antígenos. São identificadas, segundo a ordem decrescente de concentração, como se segue: IgG1 (60,3 – 71,5%), IgG2 (19,4 – 31,0%), IgG3 (5,0 – 8,4%) e IgG4 (0,7 – 4,2%). Embora a IgG4 tenha um percentual menor em relação às demais, pode atingir até 75% do total de IgG após exposição crônica a um antígeno, como na imunoterapia com alérgenos e também em indivíduos saudáveis que possuem gatos e apicultores. Está demonstrado cientificamente que a IgG4 associa-se intimamente com a produção de IgE e tem relevância para o estudo das doenças alérgicas. 

 

Imunoterapia para alergias 

O primeiro relato descrevendo a imunoterapia foi publicado em 1911, quando Noon descreveu que a injeção subcutânea de um extrato de pólen suprimiu os sintomas induzidos por alérgenos. Desde então, a imunoterapia com alérgenos tem sido usada na prática médica para tratar com sucesso a hipersensibilidade a muitos alérgenos, incluindo ácaros, grama e pólens de árvores, veneno de insetos e pêlos. A imunoterapia com alérgeno é apropriada para pacientes que sofrem de doenças alérgicas mediadas por imunoglobulina E (IgE), como a rinite alérgica sazonal, a rinite perene, a asma alérgica, anafilaxia a veneno de insetos. 

Através de diferentes mecanismos de interação com antígeno e células (mastócitos e basófilos), a IgG4 exerce um papel imunomodulador com atividade anti-inflamatória. 

A regulação negativa da resposta alérgica em um paciente submetido à imunoterapia com alérgenos é atribuído ao aumento de IgG1, IgG4 e IgA, e também à diminuição de IgE. Esta alteração está ligada a reduções significativas no número de células T, basófilos, eosinófilos e neutrófilos. Os anticorpos IgG4 também bloqueiam a histamina dependente de IgE, induzida por alérgenos nos basófilos. A imunoterapia com alérgeno resulta em redução de longo prazo nos níveis séricos da IgE específica para o alérgeno. Reduções significativas na resposta de fase inicial também foram demonstradas. 

 

Características anti-inflamatórias de IgG4 
A troca do braço de Fab leva a anticorpos funcionalmente monovalentes. Isso impede a formação de complexos imunes. 
Baixa afinidade para ativação de receptores Fcg. 
Não fixa complemento. 
Atua como um anticorpo bloqueador para competir com IgE por ligação alérgica. 
Supressão direta de mastócitos e basófilos por ligação cruzada de FcεRI e FcgRIIb com IgE e IgG4. 

 

A utilização da IgG4 alérgeno-específica mostra-se promissora em diversos aspectos, dentre eles, a facilidade de determinação, por ser um marcador sérico. 

 

Aplicações clínicas 

monoterapia com alérgeno (AIT) é um tratamento eficaz para alergia e rinoconjuntivite com ou sem asma. O padrão-ouro de eficácia da AIT é a avaliação de sintomas clínicos e medicamentos durante a exposição a alérgenos.  

Em uma revisão de artigos científicos, foram avaliados vários biomarcadores do monitoramento da eficácia clínica da AIT, mas existem apenas algumas conclusões sobre a relação entre biomarcadores e dados clínicos (resposta versus não resposta). A IgG4 específica parece ser o marcador mais efetivo para monitorar o tratamento. 

  • Uma dosagem sérica baixa de IgG4 específico é, potencialmente, um marcador preditivo negativo e a falha na indução de IgG4 específico também pode ser indicativa de inadequação à adesão ao tratamento. 
  • Recomenda-se usar IgG4 específico em vez de IgG total como um biomarcador para avaliar a resposta imunológica à AIT seja na pesquisa clínica e ou no desenvolvimento de medicamentos. 

Mais estudos, especialmente comparando efeitos locais com efeitos sistêmicos ainda são necessários para desenhar conclusões concretas, bem como delinear melhor o papel de outras imunoglobulinas. 

Na prática, a dosagem da IgG4 específica pode ter papel no monitoramento de pacientes recebendo imunoterapia sublingual e ou subcutânea, onde há muitas desistências ou falhas de adesão pelo paciente. Outra aplicação seria a avaliação, de modo indireto, da potência dos extratos fornecidos pela indústria farmacêutica. A resposta seria o acompanhamento da progressão das doses prescritas de imunoterapia, através da coleta de soro antes do início do tratamento e o seguimento com a dosagem da IgG4 específica em periodicidade variável até um ano. 

A mensuração de IgG4 específicas foi utilizada em estudos clínicos de doenças alérgicas incluindo: asma, rinite, urticária, eczema e problemas gastrointestinais. Concentrações de IgG4 específicas aumentadas são observadas em pacientes tratados com AIT, incluindo imunoterapia com aeroalérgenos (ácaro, pólen) e venenos de himenópteros. 

 

Metodologia de Quantificação 

Não há valores de referência definidos e recomenda-se a determinação de IgG4 alérgeno-específica antes e após a AIT.  

O ensaio mede na faixa de 0.07–30 mgA/l e utiliza apenas 40µL de soro. 

O Lab Rede, disponibiliza a dosagem de IgG4 especifica através da metodologia ImmunoCAP (Thermo-Fisher®) para diversos alérgenos. Exemplos: ácaros (IgG4 para Der p1 eDer p2), pólen (IgG4 para Cyn D1, Phlp SB, Phl p1), venenos de insetos, alimentos e outros. 

 

Assessoria Médica Lab Rede  

 

Referências 

  1. Shamji MH et al. Biomarkers for monitoring clinical efficacy of allergen immunotherapy for allergic rhinoconjunctivitis and allergic asthma: an EAACI position paper. Allergy 2017;72:1156–1173. 
  1.   Van de Veen, Willem et al. Role of IgG4 in IgE-mediated allergic responses.  
  1. James, L.K, Till, J.S. Potential Mechanisms for IgG4 Inhibition of Immediate Hypersensitivity Reactions. Curr Allergy Asthma Rep. 2016;16(3):23.  

 

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