Atual Diretriz Brasileira de Dislipidemias, de 2025, reforça o papel do diagnóstico laboratorial na prevenção cardiovascular

Atualização publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça a integração entre estratificação de risco, exames laboratoriais e prevenção cardiovascular

A atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, divulgada em setembro de 2025 e elaborada por especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), marca um avanço relevante na forma como o risco cardiovascular deve ser avaliado, estratificado e acompanhado na prática clínica. O documento consolida evidências científicas recentes e propõe uma abordagem mais integrada entre clínica, exames laboratoriais e estratégias de prevenção.

Em um cenário em que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo, a diretriz reforça a necessidade de identificar precocemente indivíduos em risco, ampliando o protagonismo do diagnóstico laboratorial na tomada de decisão médica.

Uma diretriz alinhada à medicina baseada em risco

Um dos pilares centrais da diretriz de 2025 é a consolidação da avaliação do risco cardiovascular global como base para condutas preventivas e terapêuticas. A proposta vai além da análise isolada de parâmetros lipídicos, estimulando uma leitura integrada dos dados clínicos, laboratoriais e do histórico do paciente.

Essa visão reforça que a interpretação correta dos exames laboratoriais não deve ser dissociada do contexto clínico, especialmente em indivíduos assintomáticos, nos quais a prevenção primária se torna decisiva para evitar eventos futuros.

Avanços conceituais na abordagem das dislipidemias

A nova diretriz atualiza conceitos fundamentais relacionados às dislipidemias, incorporando evidências mais recentes sobre o impacto das frações lipídicas no desenvolvimento da aterosclerose. O documento destaca a importância de parâmetros como colesterol LDL, colesterol não HDL e apolipoproteínas, sempre inseridos em uma lógica de estratificação de risco.

Ao reforçar metas individualizadas, a diretriz sinaliza uma transição clara para uma abordagem mais personalizada, na qual o laboratório deixa de ser apenas fornecedor de resultados numéricos e passa a atuar como peça estratégica no cuidado contínuo do paciente.

O papel estratégico do laboratório clínico

Para a medicina diagnóstica, a diretriz de 2025 traz implicações diretas. A qualidade analítica, a padronização dos métodos e a confiabilidade dos resultados tornam-se ainda mais relevantes diante da crescente complexidade das decisões clínicas baseadas em marcadores lipídicos.

O documento reforça que pequenas variações analíticas podem ter impacto significativo na classificação de risco e, consequentemente, nas condutas adotadas. Isso amplia a responsabilidade técnica dos laboratórios e valoriza práticas robustas de controle de qualidade, rastreabilidade e interpretação criteriosa dos exames.

Integração entre diagnóstico e decisão clínica

Outro ponto de destaque é o estímulo à comunicação mais eficiente entre laboratório e médico assistente. A diretriz enfatiza que a interpretação adequada dos perfis lipídicos deve considerar fatores como idade, comorbidades, histórico familiar e risco cardiovascular estimado, evitando decisões baseadas em resultados isolados.

Essa integração fortalece o conceito de cuidado centrado no paciente e amplia o impacto do diagnóstico laboratorial na prevenção da aterosclerose, especialmente em fases precoces da doença.

Prevenção como eixo central da prática clínica

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025 reforça que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a carga das doenças cardiovasculares. Ao valorizar a estratificação de risco e o acompanhamento longitudinal dos marcadores lipídicos, o documento reposiciona o laboratório como um aliado fundamental na promoção da saúde e na redução de eventos cardiovasculares evitáveis.

A diretriz propõe uma mudança de mentalidade, além da atualização técnica, na qual diagnóstico, clínica e prevenção caminham de forma integrada, sustentados por evidências científicas sólidas.

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